
Amazonino e Arthur podem promover uma reviravolta na eleição, fazendo aliança, mas o fato da semana ainda é a mudança no Decreto do IPI, anunciada na reunião do governador Wilson Lima com Bolsonaro e Paulo Guedes (foto)
O ex-tetra-governador e ex-tri-prefeito Amazonino Mendes pode acabar no colo do ex-tri-prefeito e ex-senador Arthur Virgílio. Acossado pelas alianças da dupla Wilson Lima-David Almeida, Amazonino ficou sem muitas opções partidárias. Precisa de tempo e de dinheiro do fundo partidário para a campanha. Restou-lhe, com mais garrafa pra vender nesse campo, o PSDB de Arthur. Arthur precisa de cabeça de chapa para disputar o Senado. Os dois confiam que podem torcer e distorcer a opinião pública com um bom papo. E estão a um passo de marchar juntos na eleição deste ano.
Arthur, que chegou a disputar as prévias tucanas da eleição presidencial, perdeu, mas lidera pesquisas para o Senado, e tem conversado em várias latitudes. Espera-se, nos próximos dias, ou o anúncio da filiação de Amazonino ao PSDB ou, até, uma surpresa ainda maior.
O presidente Jair Bolsonaro aceitou a saraivada de argumentos contra a redução do IPI da Zona Franca de Manaus (ZFM) e vai rever o decreto.
O governador Wilson Lima foi criticado por não ter se pronunciado sobre o decreto que atingiu mortalmente a ZFM. Suportou as críticas e, em silêncio, construiu alternativas para discutir com o Ministério da Economia. Levou o pacote ao presidente Bolsonaro e agora, para sacramentá-lo, promete trazê-lo e fazer a assinatura do novo decreto em Manaus.
Anote aí: a agenda presidencial prevê a assinatura “redentora da ZFM”, em Manaus, dia 18/03.
Logo após a reunião de Wilson Lima e Jair Bolsonaro começou um bombardeio nas mídias sociais. Deputados federais e senadores trataram de tentar se colocar no papel de pai da criança. Veja um resumão:
Os três senadores, que não têm boa relação com o presidente, disseram que o forçaram a voltar atrás. Fizeram isso em mídias sociais e, Plínio, em discurso no plenário. Atrelaram a decisão de Bolsonaro ao voto em favor da unificação do ICMS da gasolina.
No discurso mais ponderado de todos, o deputado federal Marcelo Ramos disse que “não tem pai da criança” e “foi uma construção coletiva”. Chegou a estender a mão para os que, inicialmente, “foram a favor do decreto e depois voltaram atrás” – uma clara referência ao coronel da reserva do Exército Alfredo Menezes.
Sem nenhum protagonismo no episódio, os demais deputados federais do Amazonas também tentaram embarcar na onda da mudança no decreto. Tudo o que fizeram foi somar presença ao lado de quem decidiu. Mas isso é o mínimo, para quem tem mandato amazonense.
O coronel Menezes, que foi superintendente da Suframa e agora é pré-candidato ao Senado, mostrou, mais uma vez, que fecha com Bolsonaro contra tudo e contra todos. Até mesmo contra o Amazonas. Primeiro disse que “a Zona Franca só serve para palco de políticos”. Depois, acompanhando Wilson Lima na audiência que bateu o martelo pela revogação, divulgou que foi o responsável pela mudança no humor presidencial.
Ao assinar a ficha de filiação do União Brasil, o governador Wilson Lima pode ter mexido fundo no tabuleiro político do Estado. Está na maior Federação Partidária do País, com a maior bancada federal e mais recursos do Fundo Eleitoral. E deve receber, nos próximos dias, uma revoada de filiação de deputados estaduais e prefeitos do interior. Prefeitos, pelo que a coluna apurou, serão mais de 30.
O ex-presidente Michel Temer atendeu a velha reivindicação do mercado e dos analistas de economia: atrelou o preço da gasolina ao preço do barril de petróleo no mercado internacional. Volátil, esse preço sobe e desse com rapidez, às vezes mais de uma vez no mesmo dia. O problema é que na subida o preço da gasolina vai junto e na descida o mercado prefere “esperar um pouco mais”. Resultado é que o preço passou, nesta quinta (10/03), do recorde de R$ 7, em Manaus e no resto do País.
Em campanha pela reeleição, Bolsonaro já sabe que a classe média está furiosa por conta da aberração no preço da gasolina, sem que os salários acompanhem. Nem os bolsonaristas conseguem lógica para argumentar a favor dessa carestia. E Bolsonaro sabe que baixar o preço é fator fundamental para suas chances no pleito. Parece ter começado a entender que não pode criticar o governo, se ele é o chefe do governo e, teoricamente, quem manda. O “não me deixam fazer” se traduz por “não sei como fazer” que, na hora do voto, pode se transformar numa rejeição fatal. Ou o País terá que ser convencido da plausibilidade e coerência em dar mais quatro anos para quem “não pode fazer”.
Antônio Carlos Magalhães, o ACM, e Paulo Maluf marcaram a política brasileira com o adágio popular do “rouba, mas faz”. Agora, sem escândalos do porte de Petrobras, embora tentando driblar as evidências de rachadinhas, Bolsonaro periga entrar na eleição com um ditado diferente: “Não rouba, nem faz”.