
Radar de Braga para eleição, BR-319 e desenvolvimento do Amazonas foi revelado em entrevista ao G6
A entrevista concedida pelo senador Eduardo Braga ao consórcio de portais G6 revelou mais do que anúncios de obras ou articulações eleitorais. Ela expôs uma visão de longo prazo para o Amazonas, combinando infraestrutura, energia, logística e tecnologia de ponta. Em meio a pontes, linhões e licenciamento ambiental, Braga apresentou um desenho estratégico que conecta a BR-319 a um projeto maior: transformar o Estado em protagonista da nova economia global. Nos bastidores da política, a entrevista foi lida como uma tentativa clara de sair do varejo eleitoral e entrar no atacado do desenvolvimento. E isso, no Amazonas, muda muita coisa.
A entrevista foi concedida ao G6, consórcio formado pelos portais Portal do Marcos Santos, Portal do Iel Levi, Portal Único, Portal BNC, Portal do Mário Adolfo e Amazonas Atual. A iniciativa busca ampliar o alcance e o contraditório no jornalismo político do Amazonas.
Braga confirmou em primeira mão que o trecho do meio da BR-319 terá 54 pontes de concreto. Cada uma com um quilômetro de asfalto antes e um depois. No total, serão 108 quilômetros pavimentados dentro dos cerca de 400 quilômetros mais críticos da rodovia.
O trecho do meio segue sendo o nó da BR-319. Lama no inverno, poeira no verão e insegurança o ano inteiro. Com as pontes e o asfalto associado, cerca de um quarto desse trecho crítico ficará estruturado, criando uma espinha dorsal para o avanço da obra.
O ponto mais estratégico da entrevista foi a energia. Braga, engenheiro elétrico, apontou a fragilidade do sistema que liga Tucuruí a Manaus por mais de mil quilômetros. Ele lembrou que o linhão cria um campo elétrico extenso, vulnerável a raios e apagões recorrentes.
A hidrelétrica de Guri, na Venezuela, foi citada como peça-chave. Com capacidade original de 12 gigawatts — maior que Itaipu — hoje opera com apenas cerca de 3 gigawatts. Reestruturada, poderia voltar a fornecer energia ao Brasil via Roraima até Manaus.
Além de Guri, Braga lembrou a usina de Mauá e o Complexo do Azulão, ambas termelétricas, como reforço ao sistema. Somadas, elas ajudariam a criar redundância energética e reduzir os apagões na capital.
A BR-319 também aparece como corredor energético. Pela rodovia poderiam chegar novas conexões vindas das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, encurtando distâncias e facilitando a implantação de novos linhões.
Energia abundante é só metade da equação. O Amazonas concentra o maior volume de água doce do planeta. Água e energia são os dois insumos básicos dos data centers, as estruturas que sustentam a inteligência artificial no mundo.
Com água, energia e logística, o Amazonas poderia se tornar um hub de data centers e entrar na indústria 5.0, baseada em inteligência artificial, supercomputadores e processamento massivo de dados. Um salto histórico para a economia local.
Braga também lembrou as terras raras existentes em Presidente Figueiredo, na mina de Pitinga. Resíduos acumulados desde os anos 1980 aguardam apenas tecnologia para separação, completando o tripé: energia, água e minerais estratégicos.
Na leitura política, a entrevista mostra um Eduardo Braga menos focado no imediato eleitoral e mais empenhado em desenhar um projeto de poder ancorado no desenvolvimento. Se vai sair do papel, é outra história. Mas, no Panavueiro de hoje, o vento sopra na direção de um Amazonas que pensa grande.