
PL mira Senado com chapa unindo Alberto Neto (esquerda) ao governador Wilson Lima (direita). Os dois apoiariam a chapa de Tadeu de Souza (centro)
O tabuleiro de 2026 no Amazonas está sendo redesenhado a partir de Brasília. O PL mira Senado, no âmbito nacional, decidindo priorizar a formação de bancada robusta. E colocou o Estado no radar estratégico. Em reunião na capital federal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), articulador da chapa no Amazonas, alinharam um plano: lançar o atual governador Wilson Lima e o deputado federal Capitão Alberto Neto ao Senado, ambos apoiando Tadeu de Souza ao Governo do Amazonas. O desenho prevê a desincompatibilização de Wilson em abril, abrindo caminho para Tadeu assumir o Palácio e disputar a reeleição. No meio do xadrez, ficam as ambições de Maria do Carmo Seffair e David Almeida, além da pressão por estrutura partidária e máquina administrativa. O prazo corre: abril define cargos, agosto consolida chapas e outubro decide o jogo.
A prioridade do PL é ampliar presença na Câmara Alta. A estratégia nacional passa por eleger o maior número possível de senadores em 2026. No Amazonas, a aposta recai sobre Wilson Lima e Alberto Neto, formando uma dobradinha competitiva sob chancela de Brasília, para enfrentar o emedebista Eduardo Braga. Seria a junção da federação União Progressista (PP e UB) e o PL.
O encontro entre Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho consolidou a articulação. Eles vinham conversando com Tadeu de Souza, antes mesmo da aproximação dele e Wilson. A diretriz é reduzir dispersão no campo conservador e estruturar uma chapa majoritária competitiva no Estado.
Tadeu bateu o martelo: será candidato à reeleição, se Wilson se desincompatibilizar, até 5 de abril. Com isso, a máquina estadual passa a ser peça central na engenharia eleitoral.
A pré-candidatura da dona da Fametro, Maria do Carmo, perde tração. A articulação, que envolvia Valdemar da Costa Neto e Alfredo Nascimento, esvaziou-se diante da dificuldade de consolidação interna e da busca do partido por capilaridade e estrutura local. Tadeu de Souza, segundo círculos internos, não a quer como vice.
O PL nacional quer palanque robusto e base organizada. Sem controle administrativo ou forte aliança institucional, a candidatura própria ao governo se torna menos viável. A composição com Tadeu ganha força nesse contexto.
Nos bastidores, Tadeu sinaliza preferência por Fernanda Aryel Almeida, filha de David Almeida, como vice. O movimento aproximaria o grupo do prefeito, mas enfrenta resistência e cálculos distintos dentro da Prefeitura de Manaus.
David Almeida avalia cenário próprio. Se renunciar para disputar o governo, e perder, ficará fora do Executivo até 2030, já que não poderá concorrer novamente à Prefeitura em 2028. Exerceria apenas 16 meses, dos 48 para os quais se elegeu em 2024, deixando 32 para Renato Jr. O risco político é elevado.
Para Wilson Lima, não disputar o Senado significa encerrar o mandato em janeiro sem cargo eletivo. A candidatura à Câmara Alta é também alternativa de continuidade política e institucional.
Como ficam os vereadores Salazar, candidato à Câmara Federal, e Capitão Carpê (Assembleia), que fazem nome batendo, a torto e a direito, em David Almeida e Wilson Lima? Ou mudam de partido ou de estratégia.
O PL mira Senado, PL mira Senado, PL mira Senado. É o mantra na cúpula nacional do partido de Jair Bolsonaro.
O relógio impõe ritmo: 5 de abril para desincompatibilização; 5 de agosto para registro das chapas; 5 de outubro para a eleição. Até lá, alianças podem mudar, mas a diretriz nacional da direita já está posta: Senado fortalecido, palanque unificado e disputa concentrada.
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