
As peças foram mexidas no tabuleiro da disputa pelas oito vagas na Câmara Federal do Amazonas
As dúvidas que cercam a eleição deste ano começam a ser dissipadas. As estratégias aparecem, as alianças se reorganizam e o panavueiro eleitoral vai ganhando forma. Ainda há incertezas, mas o cenário está cada vez mais nítido. À espera do dia 4 de abril, prazo final para desincompatibilização e filiação partidária, os principais líderes políticos do Amazonas mexeram peças importantes no tabuleiro. O jogo é complexo, exige cálculo, sangue frio e leitura de cenário. E, desta vez, com um agravante: a eleição para as oito vagas de deputado federal pelo Amazonas está sendo apontada como uma das mais difíceis do Brasil. O número de candidatos competitivos supera o de vagas. E é nessa matemática implacável que se decidirá quem entra e quem fica de fora.
O ponto de partida é o quociente eleitoral. É ele que define tudo. A conta é simples: divide-se o total de votos válidos pelas oito vagas. A projeção varia entre 250 mil e 280 mil votos. Para entrar na disputa, o partido precisa atingir 80% disso — algo entre 200 mil e 224 mil votos.
Os chamados “caroneiros” — aqueles que se elegem na esteira dos puxadores — também têm regra. Precisam alcançar 20% do quociente. Ou seja: algo entre 50 mil e 56 mil votos. A farra acabou. Sem voto próprio, não entra.
Uma das principais peças mexidas foi Roberto Cidade. Chegou a ser cogitado para vice de Omar Aziz ou até para o Senado. Foi recuado por Wilson Lima. O governador decidiu concentrar seu exército na disputa da Câmara Federal.
Wilson Lima quer compensar o fato de não disputar nada ficando no cargo até janeiro. A aposta é ousada: eleger três deputados federais. Missão difícil. Historicamente, duas vagas já são consideradas excelente resultado.
O time do governador tem Roberto Cidade, Fausto Jr., Joana D’Arc – que arriscará uma reeleição bem mais simples de deputada estadual – e Coronel Menezes. Um grupo competitivo. A avaliação interna é de que dá para fazer dois nomes com segurança. O terceiro dependeria de uma combinação rara de fatores.
O PSD de Omar Aziz entra com os deputados federais Átila Lins e Sidney Leite puxando votos. A meta é clara: reeleger os dois. E há uma regra não escrita no meio político: quem tem mandato e não faz 100 mil votos, com estrutura, “não jogou”.
Amom Mandel mudou o jogo ao ir para o Republicanos. Fez acordo direto com a cúpula nacional. Na prática, entra numa disputa direta com Silas Câmara. Um dos dois se elege. O outro pode ficar pelo caminho.
O Avante, de David Almeida, sofreu perdas importantes. Saullo Vianna e Arthur Virgílio Neto foram para o MDB. Coronel Menezes seguiu para o grupo de Wilson. Aryel Almeida agora precisa reconstruir a chapa praticamente do zero.
O PL aposta tudo em Sargento Salazar, fenômeno de redes sociais e apontado como possível campeão de votos. Tudo bem que os vídeos com os quais ele “bomba” já valeriam uma cassação por falta de decoro no Congresso. Mas ele pode puxar outro nome. A dúvida é Alfredo Nascimento, que precisa atingir 50 mil votos. Na última eleição, com máquina, fez 42 mil. Desta vez, ele parte sem máquina.
Zé Ricardo aparece como nome isolado. O PT, mais uma vez, não consegue capitalizar o fato de estar na Presidência da República. Sem chapa forte, o risco é não atingir o quociente e ficar fora da disputa.
A grande virada veio do MDB. O senador Eduardo Braga montou uma chapa robusta: Saullo Vianna, Adail Filho, Arthur Virgílio Neto, Vanda Witoto e Jesus Alves. É, hoje, uma das formações mais fortes. Deve fazer dois nomes.
O sistema de sobras é onde muita eleição se decide. Quem faz duas vagas divide a sobra por dois. Quem faz uma divide por um. Ou seja: às vezes, quem fez menos votos, leva vantagem. É matemática pura. E implacável.
Wilson Lima joga como estrategista de guerra. Montou um grupo enxuto e forte, apostando em emboscada eleitoral. Pode até levar o vice, Tadeu de Souza, para a disputa de federal. A ideia é concentrar força e surpreender.
Para o plano dar certo, muita coisa precisa acontecer: Salazar explodir de votos, Alfredo não atingir o mínimo, Aryel não fazer o segundo e o Republicanos ficar limitado a uma vaga. É um quebra-cabeça.
Falta uma semana. Segunda-feira, o cenário estará fechado. O eleitor precisa entender: deputado federal não é figurante. É quem faz as leis do País. É voto que muda destino. E, neste panavueiro, quem errar o cálculo dança na vaga e erro no voto constrói um País pior.
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