
Há muita briga de foice, nos bastidores da política amazonense, para definir o que pode acontecer na eleição do ano que vem. Ilustração: Charge feita por IA
A eleição de 2026 no Amazonas já começou, tem até jingles, santinhos e caminhadas. Nos bastidores, o tabuleiro avança rápido. Governador, senadores, deputados federais e estaduais se movem como quem já escuta o barulho das urnas. O rumo de tudo passa por abril de 2026, prazo final para renúncia de chefes do Executivo que desejem concorrer, e por 15 de agosto, data-limite para registro das candidaturas. Até lá, o Panavueiro seguirá forte: acordos silenciosos, rompimentos planejados e muita conta política feita sob ar-condicionado.
O prefeito David Almeida trabalha para disputar o governo em 2026. Com Tadeu de Souza assumindo o Estado e Renato Júnior virando prefeito, David teria as duas máquinas mais robustas sob guarda de aliados de infância. É o cavalo selado. Falta apenas decidir se monta.
David anunciou que sua filha, Fernanda Aryel, poderá ser vice de Omar Aziz. O prefeito tem reiterado apoio ao senador, favorito no interior e apoiado por Eduardo Braga. Para romper isso e disputar o governo, David teria de ser “muito macho”, como se diz no interior.
Omar Aziz tem mais quatro anos de mandato após 2026 e não arrisca o próprio mandato, seja qual for o resultado. Naturalmente candidato ao governo, só teme uma catástrofe: David romper e colocar as máquinas da Prefeitura e do Estado contra ele.
Nos diálogos internos, circula que o governo Lula enfrenta dificuldade de articulação política e comunicação, o que poderia atrapalhar o palanque de Omar. Mas o senador corre com favoritismo político: prefeitos, deputados e demais lideranças preferem Omar, que mantém relação afiada com a bancada federal, da qual é líder.
Eduardo Braga, candidato à reeleição ao Senado, consolidou força. Depois de quase perder para Luiz Castro em 2018, virou relator da Reforma Tributária, líder do MDB e um dos senadores mais influentes do país. Botou na cabeça que vai resolver o gargalo amazonense, o asfaltamento da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho). Na Esplanada, circula com autoridade de ex-ministro.
No Amazonas, Braga dobrou orçamentos de prefeituras com emendas e destinou perto de R$ 2 bilhões para a capital, sobretudo em habitação, sob comando de Jesus Alves, seu aliado e pré-candidato a deputado federal. Sua força pode pesar na disputa pelo governo, seja ao lado de Omar ou de David.
Wilson Lima virou o fiel da balança. Se sair, fortalece David e empurra o prefeito para a aventura do governo. Se ficar, Omar praticamente é aclamado governador. Tudo depende da renúncia até abril para disputar o Senado.
No sábado, Wilson inaugurou a AM-010 em modo campanha: tenda gigante, políticos, prefeitos, cerveja e churrasco. Um ato político. Indício claro de que será candidato ao Senado e deixará o cargo no início de abril.
Tadeu, futuro governador com a saída de Wilson, vive o momento natural da transição de poder: políticos já o procuram. Ele terá a caneta da Sefaz e sabe disso. Declara-se pré-candidato ao governo, cargo que considera seu por direito da cadeira.
Mas Tadeu tem uma trava: não aceita apoiar Omar Aziz. Se David insistir em disputar o governo, Tadeu até topa apoiá-lo, embora não goste da ideia. Se for candidato por conta própria, David perde a força das duas máquinas. A equação ainda não fecha.
O Amazonas já viu esse filme, o que pode acontecer até 2026. Omar assumiu no lugar de Eduardo Braga com 4% e venceu com folga contra Alfredo Nascimento, então com 63%. José Melo tinha 2% e virou governador com articulação de máquina. Percentuais atuais de David e Tadeu podem mudar rápido, quando a caneta trocar de mão.
O jogo gira em torno de um orçamento estadual de R$ 40 bilhões. Nesse ringue, Omar Aziz e Eduardo Braga são “cobras criadas”. Experientes, com trunfos guardados e com disposição para virar o jogo quando for necessário. A eleição promete.
Jair Bolsonaro apontou Alberto Neto como nome para disputar o Senado. Plínio Valério, apesar de fiel à direita e forte em 2022, ainda não teve aval. O mapa segue aberto.
A disputa deve ter Eduardo Braga, Wilson Lima, Alberto Neto e Plínio Valério. Correndo por fora, o secretário-chefe da Casa Civil da Prefeitura, Marcos Rotta, lançado por David. O PL vive tensão: Wilson tenta se aproximar da cúpula nacional para evitar que Alberto Neto vire seu adversário direto.
Quatro nomes são considerados praticamente garantidos: Átila Lins, o formiguinha de votos; Silas Câmara, com rádio em cada município; Saullo Viana, jovem e incansável; e Amom Mandel, recordista de votos, agora fortalecendo o interior, além da capital.
Correndo forte: o deputado Adail Filho, amparado pelo grupo político do prefeito de Coari, Adail Pai; Fausto Júnior, filho da presidente do TCE. Yara Lins; e Sidney Leite, que sedimentou espaço e virou um dos mais influentes da bancada.
Roberto Cidade, presidente da ALEAM, e Jesus Alves, secretário municipal de Habitação, devem tirar espaço de alguém. Alberto Neto, se não for ao Senado, volta com muita força à Câmara.
Na disputa estadual, quem tem base no interior larga na frente: Mayara Pinheiro (Coari), Mayra Dias (Parintins), Cristiano D’angelo (Manacapuru), Thiago Abrahim (Itacoatiara). Deputados com máquinas municipais e emendas fortes tendem a se reeleger. Entrar neste jogo será difícil.
O Amazonas entra em 2026 com três motores: máquina pública, articulações silenciosas e um orçamento que faz qualquer aposta valer a pena. As peças estão se mexendo rapidamente. Abril definirá o destino do governo; agosto, o mapa completo da eleição. Só para lembrar, Wilson Lima deve renunciar ao Governo do Estado para concorrer ao Senado. E David Almeida pode renunciar à Prefeitura de Manaus, para disputar o lugar de Wilson. Até lá, o Panavueiro segue quente — e muita surpresa ainda vai sair dessa ventania.
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