As marrecas chegaram magras ao pasto e trouxeram no bico o aviso da vazante. Enquanto os rios descem, a pesca esportiva prepara barcos, hotéis, guias e histórias de tucunaré. A régua das águas, porém, pede cuidado: cada calha e cada lago obedecem ao próprio relógio. A Zona Franca voltou à berlinda, atacada por quem enxerga distância, mas não conhece a conta amazônica. No tabuleiro eleitoral, convenções acabaram, alianças ganharam rosto e a disputa começou a ferver. Roberto Cidade escolheu Serafim Corrêa, Omar Aziz foi de Alessandra Campelo, David Almeida de Shádia Fraxe e Maria do Carmo de Coronel Aníbal. Os palanques estão armados. Em Manaus, até fiscalização de trânsito virou munição na guerra das versões entre Prefeitura e Governo. Em Brasília, filhos de presidentes e ex-presidentes frequentam manchetes que deveriam cobrar fatos, não sobrenomes, numa coincidência histórica de manchete nos jornalões. Na literatura, o Amazonas sentou-se à mesa do Prêmio Camões com José Ribamar Bessa Freire. E Parintins mostrou que medalha de ouro nasce muito antes do pódio, quando alguém decide construir a quadra. Tá bom o Panavueiro?
As marrecas estão no pasto, ainda magras porque acabaram de chegar. Na Amazônia, elas funcionam como calendário com asas. Quando pousam, a temporada da pesca esportiva começa a bater à porta. Não consultam régua, satélite nem boletim: apenas leem a água antes de nós.
O último boletim do SGB registrou queda de 41 centímetros no rio Negro em sete dias. Em Manaus, a cota chegou a 27 metros e 13 centímetros na medição semanal. Solimões, Purus e Madeira também vazam, embora em velocidades diferentes. Na maioria das estações, os níveis permanecem dentro da normalidade para agosto.
Um hoteleiro conta que o número de hóspedes triplica durante a alta temporada. Chega gente de vários países atrás do tucunaré-açu, esse torpedo de escamas. A carretilha ronca, o peixe explode na superfície e o pescador ganha outra história. Ao redor da isca giram emprego, renda, transporte, hospedagem e conservação ambiental.
Cada lago tem seu relógio e nem todos marcam a mesma hora. Alguns respondem ao Negro; outros acompanham Solimões, Madeira, Purus ou seus afluentes. Por isso, a boa informação vem da régua oficial e também de quem vive na beira. Para o pescador da alta temporada, o recado é simples: a janela pode ser curta.
O vídeo do Spotniks sobre a Zona Franca levantou uma pergunta legítima: por que produzir tão longe? A resposta começa justamente pela distância que o vídeo apresenta como sentença. Os incentivos existem para compensar logística, isolamento e um mercado consumidor pequeno. Sem essa compensação, a floresta passaria a disputar emprego com atividades muito mais destrutivas.
Manaus está a cerca de 2.800 quilômetros de São Paulo pela rota de cabotagem, não a quatro mil. Taiwan, potência industrial integrada ao comércio mundial, fica a mais de 22 mil quilômetros. Distância pesa, mas não encerra debate econômico nenhum. Infraestrutura, escala, tecnologia e segurança jurídica também viajam dentro do preço final.
A portuguesa Lídia Jorge venceu o Prêmio Camões de Literatura de 2026. Na mesa do júri estava José Ribamar Bessa Freire, amazonense, jornalista, historiador e professor. O prêmio é a maior distinção literária da língua portuguesa. O Amazonas não levou apenas um nome ao júri: levou memória, pesquisa e visão amazônica.
Ribamar Bessa também é a inteligência afiada por trás do blog Taquiprati. Escreve com humor, erudição e a saudável mania de desconfiar das verdades prontas. Sua presença no Camões mostra que a margem também ajuda a julgar o centro. É a Amazônia deixando de ser apenas assunto para assumir o lugar de intérprete.
Encerradas as convenções, o jogo pelo Governo do Amazonas ganhou peças definidas. Omar Aziz aposta na força do interior; David Almeida carrega a estrutura construída em Manaus. Maria do Carmo ocupa o campo da direita, enquanto Roberto Cidade joga com a máquina estadual. Agora começa a fase em que palanque cheio precisa virar voto.
Roberto Cidade confirmou Serafim Corrêa como candidato a vice-governador. A escolha acrescenta experiência administrativa, memória política e discurso econômico à chapa. Serafim conhece os corredores de Brasília, a Prefeitura de Manaus e as contas públicas. Na composição eleitoral, é uma peça que fala com setores além do grupo governista.
Folha, O Globo e Estadão amanheceram com a mesma manchete sobre Lulinha, dia 31/07. André Mendonça autorizou investigação da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Coincidência editorial existe, mas em três vitrines idênticas sempre despertam discussão. O jornalismo ganha força quando a convergência nasce dos fatos, não do efeito de manada.
Lulinha deve ser investigado sem blindagem e sem condenação antecipada. O mesmo padrão precisa alcançar Flávio Bolsonaro nas apurações relacionadas ao caso Master. Filho de presidente não pode receber salvo-conduto; filho de adversário não pode virar sentença pronta. A pergunta correta é velha e indispensável: quem pediu, quem facilitou, quem fechou os olhos e quem lucrou?
As convenções transformaram o trânsito de Manaus em extensão da campanha eleitoral. Aliados de Roberto Cidade acusaram agentes municipais de apreender ônibus e vans destinados ao evento. A Prefeitura tem o dever de fiscalizar; os acusadores têm o direito de exigir explicações. Quando a política entra na blitz, auto de infração e prova valem mais do que discurso inflamado.
O caso dos 25% cobrados sobre emendas mostra a podridão escondida no orçamento secreto da influência. O STF condenou Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa por corrupção passiva. Emenda parlamentar existe para atender a população, não para abastecer pedágio político. Dinheiro público não pode sair de Brasília já mordido pelo caminho.
Parintins conquistou o ouro inédito no voleibol infantil masculino dos Jogos Estudantis do Amazonas. O título do Colégio Nossa Senhora do Carmo abriu vaga para a etapa nacional, em Brasília. Para quem já vestiu a camisa da seleção parintinense, a medalha tem gosto de memória cumprida. O bronze dos anos 1970 agora entrega o bastão a uma geração campeã.
Medalha não nasce apenas do talento de quem salta diante da rede. Bi Garcia deixou sete ginásios na zona rural, dez na cidade e dezenas de campos iluminados. Mateus Assayag mantém a corrida, com novas obras e a conclusão do ginásio da Vila Amazônia. Na política esportiva, o melhor pódio é aquele que continua de pé depois da cerimônia.
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