26/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Prós e contra intervenção na saúde do AM e bastidores da reunião com o general Mourão

Publicado em 21 de abril, 2020

Prós e contra intervenção na saúde

Prós e contra intervenção na saúde, pedida pela Assembleia Legislativa, enquanto aumentam as filas nos cemitérios (foto)

A Assembleia Legislativa aprovou “Indicação” de intervenção na saúde do Amazonas, ao presidente Jair Bolsonaro. A medida teve maioria de 13 a 1 na sessão e maioria simples na Casa, que tem 24 assentos. Tudo indica que o presidente Josué Neto tenha negociado previamente, dada a proximidade que tem cultivado com o Governo Federal. Ou isso ou Bolsonaro dirá “não” a essa intervenção, embora consciente da gravidade da pandemia de Covid-19 no Amazonas. O presidente tem razões fortíssimas para negar a intervenção. Veja a seguir.

 

Precedente

Se Bolsonaro intervém na saúde do Amazonas, bolsonaristas paulistas e cariocas vão às ruas pedir intervenção naqueles Estados. Eles andam às turras com Dória e Witzel. Os cearenses idem com relação a Cid Gomes. Maranhenses ibidem contra Flávio Dino (PCdoB). Não seria uma intervenção na saúde amazonense, portanto, mas uma porteira por onde passaria uma boiada.

 

Precedente (2)

Por mais que tenha dinheiro e loucura, Bolsonaro não tem braços para tantas intervenções. Se o Ministério da Saúde (MS) pudesse administrar tantas demandas, diretamente, o Brasil estaria bem melhor no combate à pandemia. O MS, além do mais, ainda se ressente da demissão de Mandetta e Teich tateia na gestão da pasta.

 

Sem tempo para a política

O prefeito de Manaus comentou o pedido de intervenção federal na saúde do Amazonas. “Sou obsessivo. Minha obsessão agora é combater a Covid-19. Não tenho tempo para a política”.

 

Reunião com Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão marcou um golaço. Pegou avião em Brasília e, atravessando os riscos de contágio, veio a Manaus encarar a situação. Reuniu com o governador Wilson Lima, o prefeito Arthur Virgílio e os principais assessores deles. Foi um encontro cordial, com momentos tensos. Agora é esperar pela concretização das providências combinadas.

 

‘Não é mais emergência. É calamidade mesmo’

Arthur Virgílio teria dito ao vice-presidente, com todas as letras: “A situação, em Manaus, não é mais de emergência. É calamidade absoluta mesmo”.

 

Estrutura

Wilson Lima pediu ajuda na estruturação e ampliação dos leitos no hospital Nilton Lins. Falou da abertura progressiva. “Abrimos com poucos leitos, mas tínhamos que abrir até com um só porque faz diferença salvar uma vida”, disse.

 

Ricardo Nicolau

O deputado estadual licenciado Ricardo Nicolau, que administra o hospital de campanha da Prefeitura e é da Samel, também falou. Pediu que Hamilton Mourão consiga mais leitos e equipamentos. Apelou pela entrada na briga do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), da Ufam. “Ajude-nos ou vamos ter mortes dentro de casa e corpos nas ruas, como aconteceu no Equador”, disse.

 

Respiradores e bipaps

Qual a diferença entre respiradores e bipaps? Respiradores são usados em UTI e bipaps em ambulâncias, transitoriamente. Enquanto respiradores viraram um dos produtos mais raros do planeta, os bipaps são encontrados no mercado brasileiro. Respiradores custam mais de R$ 100 mil. Bipaps não passam de R$ 20 mil.

 

Wilson e a UTI do Nilton Lins

Médicos e políticos apontam uma foto, postada pelo governador Wilson Lima nas redes sociais, na frente de suposta UTI. A publicação revela um bipap, no local onde deveria haver um respirador. A explicação da assessoria: a sala estava em montagem e, enfatiza, as UTIs do hospital Nilton Lins terão respiradores. Por isso, elas serão implantadas paulatinamente.

 

Samel e bipaps

Os bipaps são um dos instrumentos usados pelo Hospital Samel, para evitar a intubação de pacientes. Os médicos da instituição trabalham com o tratamento mais precoce possível. Praticam a chamada Ventilação Não-Invasiva (VNI), ou seja, ventilam antes de agravar. Intubação leva a traqueostomia e outros males. O demonizado bipap, portanto, tem ajudado a salvar vidas.

 

Marcelo Ramos

O deputado federal Marcelo Ramos se afastou das posições radicais e fez um apelo por “menos política e mais cooperação”. Falou de respiradores e bipaps, combatendo as demonizações.

 

Óbitos

Os cartórios revelam 91 óbitos registrados sábado, 106 domingo e 169 na segunda (20/04). É mais que o dobro dos dias normais. Tudo Covid-19? Claro que não. Mas é um dramático sintoma da pandemia.

 

Pagamento

No meio da emergência na saúde do Amazonas, nada mais salutar que atualizar pagamentos de médicos e enfermeiros. Não dá para pedir os sacrifícios que esses profissionais estão fazendo, com os salários deles atrasados.

 

É guerra

O clima é novo e muitos ainda não entenderam. O Covid-19 colocou o mundo em guerra. A essa altura, todos já têm parentes ou amigos infectados e muitos até mortos próximos ou conhecidos. Londres guarda, como relíquia, o bunker de onde Winston Churchill dirigia o mundo, com a cidade sob bombardeio nazista. Imagine se o grande estadista se exporia, enquanto as V-8 de Hitler esburacavam a capital do império. Jesus Cristo, quando fariseus espalharam que expulsava demônios em nome de Satanás (Mateus 12:25), respondeu: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”. É salutar, necessária e natural a fiscalização do governo Wilson Lima. Ajudá-lo também. Wilson é um novato, com governo novo e desafio inédito. O bombardeio contra ele, ainda mais à base de fake news, só enfraquece a denúncia séria e tira energia do combate principal. Chega a ser cruel, com tantas mortes, pensar em eleição. Ou reeleição.

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