
A malandragem de gastar, fazendo um mandato como deve ser, trabalhando pelo povo, é um dos segredos para ganhar eleição
O resultado da eleição de 2024 trouxe frustrações. Uma das mais visíveis está na chapa Alberto Neto-Maria do Carmo, por ser da capital. Foi uma aposta alta na capacidade de imposição do ex-presidente Jair Bolsonaro. Quase 100% nisso. Alberto faz mandato com baixíssima visibilidade, como deputado federal, e Maria do Carmo esboçou apenas espasmos em direção ao povo, como dona-reitora da Fametro. A máxima do marketing eleitoral se impôs: quanto menor a popularidade, maior o esforço e o dinheiro necessários para ganhar eleição.
O moral da história é muito simples. A “malandragem” é trabalhar, todos os dias um pouquinho, em todos os anos do mandato ou do período pré-eleitoral, para construir a eleição-reeleição.
A eleição deste ano revelou “líderes” que precisaram ficar escondidinhos ou atrapalhariam a eleição dos liderados. Isso é impopularidade. Isso é gabinete demais, contratos demais e obras de menos.
O Brasil assistiu a eleitos desconstruindo a enorme estrutura de campanha e “indo descansar”. Tudo bem que ninguém é de ferro, mas a notícia não é nada boa para os que optaram por esse caminho. Pesquisas qualitativas mostram que o pós-eleição é o melhor momento para consolidar imagem.
As perguntas simples, que envolvem a malandragem de gastar menos em campanha, é “quantos votos, dos recebidos, você voltou para agradecer?” E “quanto gastou para ganhar”?
Um vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, prefeito ou governador que não se reelege passa recibo de incompetência. A estrutura que “o sistema” coloca à disposição deles é impressionante. São carros, cargos, ajudas de custos para todos os lados e dinheiro, muito dinheiro.
Parlamentares têm, à disposição, hoje, as emendas parlamentares. Elas são o maior ralo do dinheiro público que já existiu na história do Brasil. O céu é o limite.
Há Municípios, no Amazonas, com orçamento de R$ 30 milhões/ano, que receberam mais que o dobro em emendas parlamentares. E elas escapam do crivo das câmaras municipais. Até os tribunais de contas se queixam da dificuldade em acompanhar a aplicação desse dinheirão.
O Brasil precisa, no curto prazo, pensar no que fazer para diminuir o gasto com tudo isso. É um absurdo completo. Não se trata de um vereador da pequena cidade do Quiprocó do Bó. São todos os milhares de vereadores, deputados e senadores do Brasil inteiro.
Há mais. “O sistema”, nesse caso entendido como o bolso do contribuinte, banca todos os órgãos sediados na capital federal. Qualquer conselho federal tem verba cativa para mandar buscar ou levar quem quiser de qualquer Estado. Essas passagens, geralmente resultantes de convênios com as companhias aéreas, são do tipo “tarifa cheia”, ou seja, as mais caras.
Já existe companhia aérea que faz o embarque de prioridades por lei, clientes premium e clientes comuns, mas, antes de todos, das “prioridades parlamentares”. E o passageiro, mortal pagador de impostos, fica ali, vendo aquelas figuras montadas nos seus paletós, entrando direto para a classe executiva ou primeira classe, quando existe.
Como o Brasil vai construir portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, metrôs etc., a chamada infraestrutura, aquilo que diferencia país subdesenvolvido dos desenvolvidos, gastando tanto com vento?
A história revela que a humanidade viveu momentos assim. A monarquia francesa usava e abusava de privilégios. O resultado foi a Revolução Francesa, a guilhotina, que, no nosso caso, é o crivo eleitoral. Muita gente ainda vai ter a cabeça cortada, por ter usado e abusado de cargo eletivo.
Só esperar para ver.