
O cerco do tráfico, nos Coliseus, ocupa uma área de 2 milhões de metros quadrados e 12 quilômetros de perímetro, no Distrito Industrial 2
O tráfico de drogas tem usado uma estratégia muito clara em Manaus: mistura-se aos sem-teto e constrói bases logísticas confortáveis, em invasões que ocupam áreas muito bem escolhidas. Dizer que todos os moradores são traficantes é um pouco demais. Nem o crime, por mais organizado que seja, consegue reunir tantos criminosos num só local. A ação consiste apenas em jogar fogo no palheiro do déficit de moradia, alimentado pelo êxodo rural atávico no Amazonas, mais a imigração adensada pelos venezuelanos.
Estão aí, para os sociólogos estudarem, as invasões Cidade das luzes, no Tarumã, Monte Horebe, Nova Jerusalém ou União, na Zona Norte, e agora Coliseu 1, 2 e 3, no Distrito Industrial 2.
O cerco do tráfico se dá de forma clara. Os traficantes têm as armas e os “soldados”. Invasores temem apenas a retirada, a ação das autoridades. Daí para um comando que controle as entradas e saídas dessas invasões é um passo.
Governo do Estado, Ministério Público e Justiça do Amazonas fizeram enormes esforços para retirar os ocupantes da Cidade das Luzes. Lá, o tráfico buscava o caminho do Tarumã, braço do rio Negro, para receber e enviar drogas e armas.
A mesma força tarefa foi necessária para reverter Monte Horebe, que ameaçava a reserva Ducke e chegou a desafiar, em confronto armado, as forças policiais. A logística do local se viabilizava pelas rodovias AM-010 e BR-174.
Agora, nos Coliseus, no Distrito Industrial, a localização é ainda mais privilegiada. O Governo do Estado está prestes a entregar os anéis viários Leste e Sul, a maior via urbana de Manaus. Por trás está o Puraquequara, com saída para o rio Amazonas. Também é próximo da Colônia Antonio Aleixo, onde o tráfico tem domínio que lhe permite até gerir as travessias noturnas do Careiro da Várzea para lá. Careiro da Várzea que, bom lembrar, é a porta de entrada da BR-319 (Manaus-Boa Vista).
A área dos Coliseus 1, 2 e 3 é próxima de 2 milhões de metros quadrados, com um perímetro de quase 12 quilômetros. Suficiente para expandir as indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM) que, promete o governo Lula, sairá melhor ainda da Reforma Tributária.
Vamos contar? Foi desapropriada a invasão da Carbrás, hoje Parque São Pedro. O Prosamim construiu milhares de casas, além do número dos antigos ocupantes das palafitas. Há vários conjuntos Viver Melhor, um deles, no Santa Etelvina, com mais de 13 mil unidades habitacionais. Foram entregues várias outras construções, com recursos do programa federal Minha Casa Minha Vida, espalhadas pela cidade. E não podem deixar de ser contadas as moradias de classe média baixa, que, teoricamente, também preenchem parte do déficit.
Nada disso mexeu uma palha com a indústria das invasões, que continua operante, ativa e eficiente. A administração pública evoluiu, com orçamento anual mais aberto, disponível para discussão. De que adianta isso, no entanto, se invasões “furam” todo o planejamento?
Combater invasões tentando acompanhar os passos do tráfico de drogas, em Manaus, está virando uma corrida do cachorro atrás do rabo. Novas moradias vão sendo construídas e já há demanda reprimida esperando por elas. O “sistema habitacional” parece imitar um bêbado tentando beber o oceano.
Manaus, enquanto isso, cresce sem planejamento, criando gargalos futuros no trânsito, pedindo mais transporte coletivo etc. etc. etc. A cidade está batendo na casa dos 2,5 milhões de habitantes.
Onde isso vai parar? Que Deus nos ajude.