21/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Vandalismo uniu instituições e aproximou Lula de governadores

Publicado em 09 de janeiro, 2023

Vandalismo uniu

Vandalismo uniu instituições, mas, na hora, foi acompanhado com complacência pela polícia do DF, dizem autoridades

Bolsonaristas, conforme previamente anunciado em redes sociais, invadiram e depredaram as sedes dos três poderes do Brasil. O resultado, após inicial perplexidade, é uma avalanche institucional de repúdio e revolta. Os governadores estão convocados para, na noite desta segunda (09/01), se encontrarem com o presidente Lula. A revolta, imprudente, se torna amálgama que afasta ecos das eleições e aproxima governantes do presidente, incluindo aliados de Bolsonaro. Ninguém quer repetir o afastado governador reeleito do DF, Ibaneis Rocha, de quem nem o compungido pedido de desculpas foi aceito.

O incrível é que o “ideal” dos manifestantes só chegava até a invasão. Daí para a depredação foi um passo. Mas e depois? Há 1,2 mil presos. Outros ainda irão para o xilindró nas próximas horas.

A última grande manifestação popular que vingou, com invasão de prédios, foi a Revolução Francesa. Vinha, no entanto, lastreada por uma série de elementos antecessores e se desenrolou ao longo de dez anos (1789-1799). Começou com a expulsão da Corte, na invasão de Versalhes, transferindo-a para Paris, criando o Reinado de Terror. Até a decapitação do mais radical de todos, Maximilien François Marie Isidore de Robespierre – que, no começo, era contra a pena de morte, depois comandou a matança de cerca de 40 mil franceses.

Até o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Flórida, EUA – ao lado do governador do DF –. que disse apoiar manifestações pacíficas, também condenou o vandalismo.

Há muito em risco.

A primeira consequência, imediata, é o confronto para retirada dos acampamentos em frente aos quartéis do Exército. É o mínimo que Lula exigirá dos governadores. E todos se verão na contingência de agir, sob pena de prevaricar diante de uma ordem institucional cada vez menos tolerante.

Revolta sem líder e sem ideal dá nisso.

O Brasil emergiu das urnas revelando que a opinião pública nacional se equilibra no fio da navalha. Há 33% lulistas e 33% bolsonaristas, com 0,9% a favor de Lula, o vencedor. Incluem-se aí bolsominions e lulaminions. E restam os 25,19% que não optaram por um, nem por outro, situação amplamente explicada em editorial anterior deste portal.

O vandalismo de Brasília gerou, até agora, um sentimento de união nacional em torno da Democracia. Se Bolsonaro não aproveitou a pandemia, para unir governadores e fazer plataforma de reeleição, Lula não perderá esta oportunidade.

Veja o caso do governador Wilson Lima, que apoiou claramente Bolsonaro. Ele vem pisando em ovos, no relacionamento com a Presidência, ciente de que o Amazonas depende do Governo Federal. Isso acaba hoje, nos tapinhas nas costas e afagos da reunião com o presidente.

A direita, recém-nascida, não aprendeu nada com o repúdio nacional provocado pela invasão dos black blocks, em 2017, ao Congresso Nacional, além da pixação da casa da ministra Cármem Lúcia.

O Brasil tem a chance de fazer do limão uma limonada. Se emergirá melhor, ao longo do tempo, depende de vigilância e sabedoria dos governantes e da população.

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