
Vandalismo uniu instituições, mas, na hora, foi acompanhado com complacência pela polícia do DF, dizem autoridades
Bolsonaristas, conforme previamente anunciado em redes sociais, invadiram e depredaram as sedes dos três poderes do Brasil. O resultado, após inicial perplexidade, é uma avalanche institucional de repúdio e revolta. Os governadores estão convocados para, na noite desta segunda (09/01), se encontrarem com o presidente Lula. A revolta, imprudente, se torna amálgama que afasta ecos das eleições e aproxima governantes do presidente, incluindo aliados de Bolsonaro. Ninguém quer repetir o afastado governador reeleito do DF, Ibaneis Rocha, de quem nem o compungido pedido de desculpas foi aceito.
O incrível é que o “ideal” dos manifestantes só chegava até a invasão. Daí para a depredação foi um passo. Mas e depois? Há 1,2 mil presos. Outros ainda irão para o xilindró nas próximas horas.
A última grande manifestação popular que vingou, com invasão de prédios, foi a Revolução Francesa. Vinha, no entanto, lastreada por uma série de elementos antecessores e se desenrolou ao longo de dez anos (1789-1799). Começou com a expulsão da Corte, na invasão de Versalhes, transferindo-a para Paris, criando o Reinado de Terror. Até a decapitação do mais radical de todos, Maximilien François Marie Isidore de Robespierre – que, no começo, era contra a pena de morte, depois comandou a matança de cerca de 40 mil franceses.
Até o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Flórida, EUA – ao lado do governador do DF –. que disse apoiar manifestações pacíficas, também condenou o vandalismo.
A primeira consequência, imediata, é o confronto para retirada dos acampamentos em frente aos quartéis do Exército. É o mínimo que Lula exigirá dos governadores. E todos se verão na contingência de agir, sob pena de prevaricar diante de uma ordem institucional cada vez menos tolerante.
Revolta sem líder e sem ideal dá nisso.
O Brasil emergiu das urnas revelando que a opinião pública nacional se equilibra no fio da navalha. Há 33% lulistas e 33% bolsonaristas, com 0,9% a favor de Lula, o vencedor. Incluem-se aí bolsominions e lulaminions. E restam os 25,19% que não optaram por um, nem por outro, situação amplamente explicada em editorial anterior deste portal.
O vandalismo de Brasília gerou, até agora, um sentimento de união nacional em torno da Democracia. Se Bolsonaro não aproveitou a pandemia, para unir governadores e fazer plataforma de reeleição, Lula não perderá esta oportunidade.
Veja o caso do governador Wilson Lima, que apoiou claramente Bolsonaro. Ele vem pisando em ovos, no relacionamento com a Presidência, ciente de que o Amazonas depende do Governo Federal. Isso acaba hoje, nos tapinhas nas costas e afagos da reunião com o presidente.
A direita, recém-nascida, não aprendeu nada com o repúdio nacional provocado pela invasão dos black blocks, em 2017, ao Congresso Nacional, além da pixação da casa da ministra Cármem Lúcia.
O Brasil tem a chance de fazer do limão uma limonada. Se emergirá melhor, ao longo do tempo, depende de vigilância e sabedoria dos governantes e da população.
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