
Números, radicalismos e as perspectivas do enfrentamento de Lula (esquerda) e Bolsonaro (direita)
O embate bolsonaristas X lulistas, que os antagonistas chamam de “direita X esquerda”, está longe de terminar. Às vésperas do desenlace do processo eleitoral, com diplomação e posse de Lula, as manifestações de rua e nas redes sociais seguem a todo vapor. Tudo é indiscutível para os radicais. Mesmo os números oficiais da eleição, disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são postos em dúvida. Mas eles oferecem importante perspectiva dos próximos quatro anos e até para o pleito presidencial de 2026.
Os brasileiros aptos a votar na eleição deste ano foram 156.454.011. Destes, 20,6% (32.162.183) não compareceram no 2º Turno. Outros 3,16% (3.930.765) anularam o voto. E 1,43% (1.769.678) optaram pelo branco. O total dos que não escolheram Lula nem Bolsonaro foi de 25,19% (37.862.626).
Os políticos que galvanizam a maioria do eleitorado dividiram 74,81% dos votos aptos. Bolsonaro obteve 36.73171% (49,10% dos votos válidos) e Lula 38.07829% (50,90%) do total geral de eleitores brasileiros.
Temos então Lula com 38%, Bolsonaro com 36% e os que disseram “não” a ambos representando 25,19% dos brasileiros aptos a votar. Mesmo descontando aqueles que não votaram por algum impedimento, a divisão do País fica bem nítida.
A próxima eleição dependerá da conquista desses 25,19%, uma vez que os porcentuais dos eleitores do presidente atual e do eleito são muito próximos. E muitos dos que votaram neles, o fizeram por não querer a outra opção.
Quatro anos foram uma eternidade para Lula, PT, petistas e lulistas. E um relâmpago para bolsonaristas. Mas passaram e passarão.
Lula assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003, como “O presidente operário”. Alçava os maiores índices de popularidade. Foi recebido por um Brasil em festa. Agora os ânimos são outros.
Assim como a ficha demora a cair para Bolsonaro, que chora diante do desenlace iminente, a de Lula também não caiu. O conciliador do pleito de 2002, que assinou a “Carta aos brasileiros”, para acalmar o mercado, agora o desafia. Pede o rompimento do teto de gastos – o mesmo que deu o pretexto para o impeachment de Dilma e segurou Paulo Guedes – e parece pouco se importar com a impressão de querer “licença para gastar”.
Golpe? O Peru acaba de dar exemplo de como as sociedades atuais reagem a isso.
Bolsonaristas que pedem intervenção das forças armadas, ao mesmo tempo, esquecem detalhes: o presidente governou com generais de pijama e os da ativa, que ficaram na caserna, dificilmente resolverão “a bronca” para eles. E, finalmente, generais não dão golpe para entregar o poder a capitão.
Radicais, fundamentalistas, xiitas de todos os matizes existem e continuarão a existir. O Brasil não tinha visto algumas das cenas atuais. No Oriente Médio e pelo mundo, no entanto, homens continuam amarrando bombas ao corpo e se explodindo, em nome da fé.
O poder dos fatos, contra os quais não há discussão, e a força da história haverão de se impor. Que a síntese seja o renascimento do Brasil conciliador, disposto a ciscar para dentro, em busca de bem-estar social.
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