
Propostas que amarram compromissos dos candidatos estão sendo esquecidas na guerra de foice da “torcida”
Começou o ano político mais importante dos últimos tempos. O Brasil escolherá entre projetos díspares, propostos por Bolsonaro e Lula, para dirigi-lo. No lado estadual, Wilson Lima lutará por mais quatro anos de mandato contra Amazonino Mendes e Eduardo Braga, além de, por enquanto, Ricardo Nicolau e Carol Braz. O confronto, colocado claramente, tem sido tão violento que relega a segundo plano o mais importante: a apresentação de propostas.
Bolsonaro, por exemplo, não tem mais o direito de fundamentar campanha apenas no passado de “único deputado a votar contra”. Nem de alegar defeitos das instituições, porque teve quatro anos de oportunidade para depurá-las ou, no mínimo, iniciar esse processo de forma mais nítida.
O Amazonas emergiu das duas primeiras ondas de Covid-19 precisando de usinas de oxigênio e UTIs no interior. Wilson Lima poderia dizer que está construindo ambas. Seria salutar, porém, que revelasse, com nitidez, o planejamento para essa estruturação.
O porto de Manacapuru tornou-se mais premente que nunca, após a duplicação da AM-070 (Manaus-Manacapuru). Receberia cargas e passageiros dos altos Solimões, Purus, Juruá e Jutaí. Diminuiria o tempo de viagem até Manaus e aliviaria o porto da capital. Além de fazer o projeto de estruturação da rodovia retornar ao objetivo original. Está aí bela pauta para candidatos a deputado federal e senador.
Entre os objetivos claros de Sua Excelência, o futuro presidente, Bolsonaro ou Lula, Ciro, Moro ou quaisquer outros, poderiam estar:
1) estruturação de malha ferroviária nacional, iniciando pelo trem bala Rio-São Paulo-Campinas-Santos;
2) criar, orçamentar, projetar e iniciar linha ferroviária que ligue, com trem bala, Porto Alegre a Belém. Deixando claro o planejamento para construção de ramais em todas as capitais brasileiras;
3) criação de Rede Científica Nacional, com orçamento próprio, para atuar em casos como a pandemia de Covid-19. E dirimir dúvidas, como as relacionadas à vacina;
4) criação de padrão para portos na Amazônia, confiáveis (que ficassem bem distantes do “modelo” Alfredo Nascimento), de modo a construir malha hidroviária com padrão internacional.
Tudo factível. Pouco para iniciar e terminar na mesma administração federal. Mas tudo necessário e urgente.
O internauta podia muito bem fazer sua própria lista, do que julgue prioritário, e cobrar de seu candidato. É aí que se acende a centelha da realização.
Criar uma lista de propostas é fundamental. Já houve tempo em que os políticos, cinicamente, propunham o Paraíso. Lembram da Nova Veneza? Depois, o tempo e o fascínio do poder se encarregavam de transformar esses desvarios em poeira.
A legislação avançou e, hoje, os candidatos precisam fazer uma espécie de “carta de princípios”, para formar alianças, nas tais Federações Partidárias. E registrar em cartório o propósito da candidatura, com metas etc.
Está funcionando? Nem tanto. Mas qualquer cidadão brasileiro tem o direito de ir à Justiça cobrar promessas eleitorais. Falta só alguém tomar a iniciativa para detonar o estopim do simancol.
Menos provocações transformariam certas “campanhas” em sacos vazios. Trocá-las pela discussão de propostas, no entanto, fariam um bem danado ao País.