11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Propostas, o elo perdido da campanha de 2022 atropelado pelo confronto

Publicado em 27 de janeiro, 2022

Propostas

Propostas que amarram compromissos dos candidatos estão sendo esquecidas na guerra de foice da “torcida”

Começou o ano político mais importante dos últimos tempos. O Brasil escolherá entre projetos díspares, propostos por Bolsonaro e Lula, para dirigi-lo. No lado estadual, Wilson Lima lutará por mais quatro anos de mandato contra Amazonino Mendes e Eduardo Braga, além de, por enquanto, Ricardo Nicolau e Carol Braz. O confronto, colocado claramente, tem sido tão violento que relega a segundo plano o mais importante: a apresentação de propostas.

Bolsonaro, por exemplo, não tem mais o direito de fundamentar campanha apenas no passado de “único deputado a votar contra”. Nem de alegar defeitos das instituições, porque teve quatro anos de oportunidade para depurá-las ou, no mínimo, iniciar esse processo de forma mais nítida.

O Amazonas emergiu das duas primeiras ondas de Covid-19 precisando de usinas de oxigênio e UTIs no interior. Wilson Lima poderia dizer que está construindo ambas. Seria salutar, porém, que revelasse, com nitidez, o planejamento para essa estruturação.

O porto de Manacapuru tornou-se mais premente que nunca, após a duplicação da AM-070 (Manaus-Manacapuru). Receberia cargas e passageiros dos altos Solimões, Purus, Juruá e Jutaí. Diminuiria o tempo de viagem até Manaus e aliviaria o porto da capital. Além de fazer o projeto de estruturação da rodovia retornar ao objetivo original. Está aí bela pauta para candidatos a deputado federal e senador.

 

Listinha

Entre os objetivos claros de Sua Excelência, o futuro presidente, Bolsonaro ou Lula, Ciro, Moro ou quaisquer outros, poderiam estar:

1) estruturação de malha ferroviária nacional, iniciando pelo trem bala Rio-São Paulo-Campinas-Santos;

2) criar, orçamentar, projetar e iniciar linha ferroviária que ligue, com trem bala, Porto Alegre a Belém. Deixando claro o planejamento para construção de ramais em todas as capitais brasileiras;

3) criação de Rede Científica Nacional, com orçamento próprio, para atuar em casos como a pandemia de Covid-19. E dirimir dúvidas, como as relacionadas à vacina;

4) criação de padrão para portos na Amazônia, confiáveis (que ficassem bem distantes do “modelo” Alfredo Nascimento), de modo a construir malha hidroviária com padrão internacional.

Tudo factível. Pouco para iniciar e terminar na mesma administração federal. Mas tudo necessário e urgente.

O internauta podia muito bem fazer sua própria lista, do que julgue prioritário, e cobrar de seu candidato. É aí que se acende a centelha da realização.

 

Cobrança

Criar uma lista de propostas é fundamental. Já houve tempo em que os políticos, cinicamente, propunham o Paraíso. Lembram da Nova Veneza? Depois, o tempo e o fascínio do poder se encarregavam de transformar esses desvarios em poeira.

A legislação avançou e, hoje, os candidatos precisam fazer uma espécie de “carta de princípios”, para formar alianças, nas tais Federações Partidárias. E registrar em cartório o propósito da candidatura, com metas etc.

Está funcionando? Nem tanto. Mas qualquer cidadão brasileiro tem o direito de ir à Justiça cobrar promessas eleitorais. Falta só alguém tomar a iniciativa para detonar o estopim do simancol.

Menos provocações transformariam certas “campanhas” em sacos vazios. Trocá-las pela discussão de propostas, no entanto, fariam um bem danado ao País.

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