
A incrível história das maletas espiãs que influenciaram a política amazonense
O guardião, um artefato tecnológico capaz de grampear telefones, é uma lenda da política amazonense. O dono do artefato conseguiria vigiar os inimigos e antecipar movimentos da política local. Do que se trata? Que histórias rondam esse episódio da vida estadual, transcorrido no começo dos anos 2000, que envolve gente atual? O panavueiro é grande. A coluna conseguiu levantar alguns episódios. Quem for da comunidade de informação que dê os detalhes ou cale-se para sempre.
Maleta, do tipo conhecida como “guardião”, é adquirida em dois países. Israel, mais moderno, comunica a venda na hora para as autoridades de segurança do país do comprador. Mas há outro, no mercado negro, que não têm nada disso.
Um empresário, ligado ao poder no Amazonas, comprou três maletas do tipo “guardião”. Uma ficou para si. A outra foi entregue ao poderoso da época. E a última ficou na mão de terceiro, que deveria “prestar serviços adicionais”. Cada uma custou, à época, cerca de R$ 3 milhões.
As “maletas” eram mais parecidas com CPUs de computadores. Chamavam de “maletas” porque quem as manipulava colocava em pastas ou malas, tipo 007, para facilitar a camuflagem. A maleta era só o meio de transporte.
Essas geringonças tecnológicas eram capazes de grampear telefones. Nada do que fosse dito em ligações passava despercebido pelo “operador” e seus patrões.
Uma ex-primeira-dama do Amazonas contava, para quem quisesse ouvir, as histórias das três maletas. Dizia que uma ficava com o “chefe”. Outra era do comprador. E a terceira, entregue a um operador, foi “tomada” de volta em ação policial na BR-174. “O cara que tinha ficado com o aparelho tinha um sítio na estrada. E os policiais ligados ao dono do esquema foram lá buscar”, conta a ex-primeira-dama.
Teria sido esse equipamento, o guardião, que gravou diálogos telefônicos revelando pulada de cerca entre dois conhecidos políticos. A conversa vazou em redes sociais e ceifou candidatura favorita à Prefeitura de Manaus.
A Feira Internacional de Defesa e Segurança (Laad), realizada este ano no Rio de Janeiro, revela que o “guardião” está ultrapassado. O aparelho custou R$ 3 milhões. O update, a atualização tecnológica, custaria R$ 4 milhões. Ou seja, o famoso “guardião” já era.
A espionagem baseada no Guardião consegue monitorar determinada área. A atual é instantânea, em tempo real, abrangendo raios de distância. Exemplo? O “espião” para na frente do prédio do espionado e consegue ouvir tudo que for falado ao telefone.
Membros da comunidade de informação avisam: um equipamento atual, que é parecido com notebook, custa R$ 400 mil. Beeem diferente dos R$ 4 milhões do guardião. Problema é que ambos são clandestinos. Já pensou um governo fazendo licitação para comprar sistema de espionagem?
Os sistemas atuais, demonstrados na Laad 2019, deixam bem claro que ninguém está à salvo. A feira tem mísseis, helicópteros, jatos e… softwares espiões.
O guardião teria sido decisivo no episódio envolvendo o falecido deputado estadual e radialista Wallace Souza. O cerco teria sido fruto das conversas grampeadas. Que, aliás, estão parcialmente retratadas na série da Netflix.
O guardião virou uma lenda. Teria sido decisivo, especialmente para um político do Amazonas. A obsolescência do equipamento responderia pelos últimos fracassos desse político. Quem? Pergunte daquela ex-primeira dama, ressentida, que não esconde a história de ninguém. O “guardião”, enquanto isso, continua uma lenda que ronda a política amazonense.
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