
Concessões e recuos de Amazonino fazem o Estado dar voltas sem realizar obras urgentes
A reeleição, que deputados e senadores tentam, mas não conseguem acabar, está falida. Ela faz com que governantes cedam à demagogia e se vejam reféns de todo tipo de chantagem. O exemplo mais claro, recente, óbvio, presente entre nós, é o do governador Amazonino Mendes.
Candidato à reeleição, ele concedeu diante da ameaça de greve na PM. Depois até tentou falar grosso, mas voltou atrás e fez nova concessão aos professores. Reajustou os salários dos secretários, na base do “quem manda sou eu”, e recuou quando se viu acuado pela Assembleia. Tudo bem que os reajustes são necessários, mas o Estado comprometeu o tal limite prudencial com eles.
Mexeu na Seplan, Seplancti, ou seja lá o que for, e deu ré alegando “erro da Casa Civil”. Deixou a entender, aliás, que o secretário José Pacífico foi demitido por causa disso. E não foi. Saiu porque sofreu um acidente, quebrou a perna e fica no estaleiro pelo menos três meses.
Este fim de semana, sexta (27/04), depois de ter afirmado que não daria o ponto facultativo de segunda (30/04), outra vez recuou. Acabou, outrossim, deixando que as passagens ficassem bem caras para apresentar ao funcionalismo a possibilidade de um feriadão. Concedeu tarde. Inconcebível que o Estado não tenha calendário anual mostrando onde haverá ponto facultativo ou não. O trabalhador, que também é serumaninho, pode fazer sua programação com antecedência e, lógico, menor custo.
O problema não são apenas essas hesitações, que vão solapando a confiança na capacidade de discernimento do governador. A questão maior é que, enquanto perde tempo dando voltas como o cachorro atrás do rabo, Amazonino não realiza nada.
Periga chegar ao fim do mandato como o quinto governador a passar pela rodovia AM-070, Manaus-Manacapuru, sem concluir a duplicação. Que, aliás, já nasce subestimada pela demanda crescente, a partir dos investimentos imobiliários em curso na via.
Transformou a nova sede da UEA em escombros. Aí talvez caiba parênteses. Alguém dirá que ninguém ignora que essa obra é a cara do adversário dele na reeleição, Omar Aziz. Mas essa disputa só se delineou no segundo bimestre do ano. Se tivesse disposição para fazer andar a construção, Amazonino teria tempo para tal. O que não pode, afinal, é o Estado permitir que todo o dinheiro jogado no local vire escombros.
Faça um exercício. Separe qualquer um desses eventos citados aqui do ano eleitoral que estamos vivendo. Impossível.
É tudo forçado pela campanha da reeleição. Há até quem diga que Amazonino, nesse ínterim, está anotando os nomes dos revoltosos para, ano que vem, sair descontando. Não é possível porque as regras administrativas mudaram, desde quando ele foi todo-poderoso no Estado. E, além do mais, quem votaria num sujeito que deixasse transparecer tanto revanchismo e rancor?
Basta ver que, dado a espalhar fanfarronices após viagens ao exterior, tentou fazer o mesmo na volta de New York. Disse que o Amazonas firmara parceria com o escritório do ex-prefeito Rudolph Giuliani. O dono da “tolerância zero”, inquirido, enviou documento ao deputado Serafim Corrêa desmentindo. Depois tentou corrigir afirmando que tem “acordo de intenção”. Ou seja, nada. Fica o dito pelo não dito.
Só para lembrar: Amazonino, no segundo mandato, foi à Ucrânia e voltou dizendo que remodelaria todo o parque energético do Estado. A população engoliu, aceitou, até que um assessor abriu o bico e denunciou a negociata. Até hoje essa história não terminou.
A basófia em torno de Rudolph Giuliani, que só empurrou o crime de Manhattan para os arredores, não ficou de pé nem uma semana.
A reeleição está falida. Se não estivesse, Amazonino, na flacidez de seu governo, teria dado o golpe de misericórdia nela.
Veja mais notícias em Opinião