
O panavueiro de Amazonino ao falar do reajuste dos secretários estaduais (“não quero ladrões no meu governo”) e ao acusar interioranos pela violência em Manaus (“vão acabar matando o Bosco”) tem grande repercussão
São muito intensos os ecos da última entrevista do governador Amazonino Mendes. O que houve com ele? Estresse? Diabetes alta? Disse que vai reajustar os salários dos secretários, que hoje ganham R$ 13 mil por mês. Por que? “Porque não quero secretários ladrões”. O vice-governador Bosco Saraiva e o deputado federal Pauderney Avelino, ao lado dele, quase se enterram. Depois, novamente no improviso, ele disse que quer dar esperança ao interior. Para que? Para que não continuem vindo para a capital “criar problema”. Como? “Vão matar o Bosco”. Bosco Saraiva é também secretário de Segurança. Ou seja, o interiorano é responsável pela violência insana que Manaus vive.
Veja o vídeo da fala do governador sobre o reajuste salarial que promete para o secretariado. Reveja e preste atenção em Pauderney e Bosco.
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Juristas adoram isso e até criaram uma “casinha” para os juízes, que escrevem em toda sentença: “no mérito…” Pois bem, no mérito do reajuste salarial do secretariado é preciso dizer que é hipocrisia o valor do salário mensal deles. Não, não é pelo que merece este ou aquele, menos ou mais qualificado. É por conta do montante do erário estadual que movimentam. Viram quanto o Ministério Público Federal acusa os envolvidos nos desvios da saúde de recebimento mensal? Os R$ 13 mil do salário atual não autorizam o status dos acusados, se já não bastassem as provas que estão nos autos.
Quanto à frase infeliz de Amazonino, “porque não quero secretários ladrões”, tomada ao pé da letra, transforma-se num Deus nos acuda. Significará que, recebendo pouco, os secretários estão autorizados a roubar? Seria um apelo para que a opinião pública permitisse o reajuste? Algo do tipo: “Reajuste logo, governador, pelo amor de Deus, ou a roubalheira acaba com a gente?”
Amazonino disse, literalmente, que o interiorano vem para Manaus criar problema de segurança. São, em outras palavras, responsáveis pelos índices de insegurança da capital. A frase segue na linha do “de onde você é?”, “sou do Pará”, “então tá explicado”. Essa declaração infeliz simplesmente foi responsável por Amazonino não reunir condições de se candidatar à reeleição quando prefeito.
Veja o vídeo do momento em que ele fala dos interioranos. Não deixe de observar as reações de Pauderney Avelino e Bosco Saraiva:
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Amazonino é de onde? Eirunepé. Ou seja, é do interior. A gente pode dizer: “Então tá explicado”?
Amazonino, a rigor, tem razão no que tentou dizer e, desastradamente, transformou numa ofensa. Se a gente somar o pingadinho de dinheiro que cada prefeitura do interior recebeu, em décadas, dá uma dinheirama. É grana suficiente para criar cidades decentes. Ocorre que uma gestão não “dialoga” com a outra. Um prefeito desfaz o que o outro fez e o resultado é um passo para frente e dois para trás. O interior do Amazonas só vai funcionar quando as prefeituras forem obrigadas a ter planos para 20 anos ou mais. Não esqueçamos: Paris, essa cidade modelo do mundo, foi modernizada em 17 anos. O que está faltando para o governador mandar para a Assembleia projeto obrigando prefeitos amazonenses a planejarem o futuro?
O que se esperava de um governador que, com três mandatos anteriores de experiência, governasse o Amazonas no caos? Simples: soluções, ação. Discurso não enche barriga. Por exemplo: por que a AM-070 (Manaus-Manacapuru) parou? É um absurdo. A estrada atravessou Eduardo Braga, Omar Aziz, José Melo, David Almeida e, neste momento, atravessa Amazonino sem conclusão. David, aliás, avançou mais que todos os outros. Amazonino, até agora, foi o que menos fez.
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