Antony Garotinho e Sérgio Cabral Filho, ex-governadores do Rio de Janeiro, acabam de ser presos. Cabral surpreendido na Operação Lava Jato, que apura corrupção na administração brasileira, Garotinho em crime eleitoral. A pergunta é, depois de tantas notícias que envolvem políticos estaduais, quando chegará a vez do Amazonas?
A força tarefa que o Ministério Público Federal (MPF) formou para atuar na Lava Jato tem um representante que conhece bem a realidade amazonense. Trata-se do procurador da República Athayde Ribeiro Costa, que já ocupou a chefia do MPF-AM. Trata-se de funcionário público experiente e que certamente saberá encontrar o time certo para agir.
A enorme expectativa de que a Lava Jato resolva todos os problemas é, provavelmente, o único senão dessa gigantesca operação. Há alguns políticos estaduais cujos nomes são praticamente unânimes, no que diz respeito à prisão, e, contraditoriamente, estão entre os de melhor desempenho eleitoral.
Por que Adail Pinheiro passou tanto tempo preso – e ainda está em prisão, embora domiciliar -, mas conseguiu eleger o filho prefeito de Coari?
Há um ditado português que diz “se alguém não tem cabras e vende cabritos alguma coisa está errada”. Há inúmeros políticos conhecidos do Estado que nunca tiveram negócios, outros que faliram o pouco que empreenderam ou estavam falidos até assumir mandato, mas andam por aí posando de magnatas.
O juiz Sérgio Moro está a um passo de prender Lula e, pelo que tudo indica, só ainda não o fez porque sabe que a opinião pública pode reagir de forma contrária. Marqueteiros defendem que o ex-presidente se deixe imolar e, na prisão, manobre para se tornar uma espécie de “Nélson Mandela brasileiro”.
Essas coisas não se resolvem num passe de mágica. Mexer com a mentalidade de uma Nação é tarefa de Hércules. Mas, como diz o ditado chinês, qualquer caminhada, por mais longa que seja, começa pelo primeiro passo.
Prisões de políticos amazonenses, se vierem, que venham com o respaldo absoluto da lei. Ou o establishment local encontrará um caminho para manter os privilégios e o poder. Da mesma forma que estão fazendo os donos da política nacional.
O Brasil só melhora a partir do povo. E da força que dele emana.
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