
Disciplina, vigilância e qualidade são os segredos das escolas da PM no Amazonas, que precisam chegar a todo o sistema de ensino do Estado
Este portal iniciou, na coluna “Panavueiro”, uma discussão sobre as escolas da Polícia Militar do Amazonas. A indagação central é por que, com o sucesso obtido pelo método, no lugar da dose homeopática de crescimento, não se adota uma postura global de revisão das escolas públicas do Estado?
Por que continuar tendo uma escola pichada, depredada, com professores impossibilitados de trabalhar por causa da violência e alunos com rendimento sofrível, no lugar de outra organizada, disciplinada e eficiente, capaz de concorrer e ganhar em prêmios nacionais? Não é teoria. É fato. Ocorreu na Escola Estadual Professor Waldocke Fricke de Lyra, do Campos Sales. Era daquele jeito, hoje é referência.
O Governo do Estado acaba de abrir mais quatro escolas sob o comando da PM, duas no Santa Etelvina, uma no Centro Universitário Nilton Lins e outra na Compensa. Apenas duas funcionarão de imediato. Todas ficam na capital, o que aprofunda ainda mais o abismo capital-interior.
O risco de transformar um sucesso em mera ferramenta de marketing é evidente. Quatro escolas ou oito ou 12 são gotas no oceano de escolas estaduais e um pingo de qualidade nesse universo.
A ideia que deve pautar as discussões é a de aprimoramento das escolas da PM, enquanto são poucas, aprofundando ainda mais a qualidade, transformando-as numa espécie de laboratório. Quem sabe, mais na frente, num ambiente sem tanto marketing e com mais sinceridade de propósitos, mais planejamento e menos ação publicitária, não seja possível utilizá-las como modelo para o sistema educacional do Amazonas?
Onde está escrito que a mediocridade tem que ser o padrão?
O post da coluna Panavueiro, por outro lado, traz à tona manifestações raivosas do tipo “é mais uma demonstração de ódio contra a Polícia Militar” ou “tudo que a PM faz é criticado”. São comentários irracionais e que não servem à causa do serviço público.
A instituição Polícia Militar não é um departamento à parte da administração pública. Oficiais e praças estão submetidos às regras da sociedade, como qualquer cidadão, acrescidas dos regulamentos da caserna.
A sociedade, por outro lado, não pode ignorar que delega a esses homens e mulheres a segurança de todos, crianças, jovens, adultos, idosos. Precisa ser esclarecida do combate desigual nos becos das favelas mais ermas, onde estão armamento pesado, manejado por gente sem escrúpulos, que transformam a vida num alvo na alça de mira.
Nos Estados Unidos e em todos os países civilizados o sistema de segurança pública, de forma geral, se baseia no praça, no agente menos graduado. Ele tem o poder discricionário de tomar decisões que raramente, muito raramente, são reformadas em todo o sistema judiciário desses países. O Estado oferece, em troca, casa, comida, roupa lavada e um salário digno por mês. Todos vão às ruas sabendo que de sua postura depende manter esse status quo.
A corrupção existe, claro, porque são sistemas formados por homens e não por arcanjos, mas esbarra na resistência dos que não querem perder o conforto pessoal e familiar.
Quando um PM morre em combate, a sociedade guarda luto, presta homenagens, exige a punição severa de quem mata.
Aqui, quando um PM mata, mesmo em defesa própria e de terceiros, transforma a vida num vendaval burocrático, quando não passa a ser tratado como bandido.
Trava-se uma guerra surda. A sociedade enfrenta o tráfico. Os traficantes ganham de braçada, especialmente depois que o cidadão foi desarmado e perdeu a capacidade de defender o próprio lar, enquanto as fronteiras vivem escancaradas à entrada de armamento cada vez mais pesado.
Não contribui em nada quem artificializa um confronto PM x sociedade. Nem quem estimula praças e oficiais ao enfrentamento. A sociedade tem que se manter vigilante quanto às suas instituições, até para apoiá-la e revigorá-la. Inclusive quando extrapola de suas funções e empresta disciplina e qualidade ao sistema educacional do Amazonas. É essa a função da PM? Não. Mas os PMs estão mostrando como é possível fazer bem esse papel.
É dever do Estado e da sociedade usar o bom exemplo para melhorar. E não se melhora sem combater os pequenos vícios, perfeitamente sanáveis, antes que contaminem o sistema e estraguem uma ótima ideia.
O Amazonas perdeu uma ótima chance de desenvolvimento com a Zona Franca de Manaus. Tomara que não perca a chance de mexer com o sistema educacional, a partir do exemplo das escolas da PM.
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