
Réveillon 2015, hora de lembrar o ano perdido e tudo o que precisa ser feito para o País se recuperar. Foto: Gabriel Monteiro/ Secom/ Agência Brasil
Um homem sábio, o pastor Eduardo França Lessa, relatava o lamento de soberano, diante de um dos seus conselheiros. Queixava-se da perda de uma joia muito querida, cravejada por diamantes, turmalinas e todas as gemas imagináveis, refletindo cores e espalhando raios que não se podiam contar. Ele chorava. Queixava-se que jamais conseguiria recuperá-la. O conselheiro, solícito, concordou com a magnitude da perda, mas disse que havia no reino ourives capaz de reproduzi-la. “Não”, respondeu o rei, “a joia que perdi foi um dia”.
É quase impossível a travessia de um ano inteiro sem perder um dia. Quantas joias preciosas como essa ficaram para trás, sem receber o devido valor, no emaranhado do dia-a-dia cercado de tantas distrações como os que a sociedade atual vive?
Um País que precisa de rodovias, portos, aeroportos, sem traço de ferrovia contemporânea e ainda permitindo que cidades continuem construindo ruas paliativas está desperdiçando o precioso tempo concedido pela História.
Ouve-se queixas de que o Brasil não acelera o crescimento porque não passou pela experiência da reconstrução pós-guerra, rotineira em países desenvolvidos.
O ano de 2015, que nos revelou um Brasil saqueado pela corrupção, traçando na economia um cenário de terra arrasada, talvez tenha oferecido o desafio de reconstrução que os brasileiros precisam.
É hora de recomeçar do zero, levantando casa por casa, como fez a Polônia, após o cumprimento da terrível ordem de Adolf Hitler para explodir tudo, não deixar nenhuma construção de pé em Varsóvia, na II Guerra Mundial.
A corrupção não é privilégio, num Brasil corrupto, como bem demonstraram as operações Cauixi e Dízimo, realizadas no pequeno Município de Iranduba. Roubaram, se confirmadas as acusações dos ministérios públicos Estadual e Federal, R$ 100 milhões daquela pobre gente.
Que venha 2016 e o resultado das 31 outras investigações em curso, em outras tantas prefeituras municipais amazonenses. Que a inacreditável crise na saúde pública estadual seja debelada. Que as autoridades encontrem juízo e criatividade para não transformar a crise num biombo da incompetência.
O ano que termina foi difícil, mas, por pior que tenha sido, é um monstro dominado, cujas garras não podem nos ferir mais que já feriram. É hora de encarar o Ano Novo, com o desafio do imponderável e a experiência conquistada na luta pela sobrevivência.
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