13/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A entrevista de David e a lupa da política

Publicado em 19 de abril, 2024

A entrevista de David

A entrevista de David (esquerda) aos seis portais foi reveladora, mas não revelou tudo sobre o futuro político com Wilson (direita)

O prefeito David Almeida, em entrevista a consórcio de seis portais, anunciou, nesta quinta (18/04), o rompimento eleitoral com o governador Wilson Lima. Quem acompanha a política já sabia, mais ou menos, que os dois estavam estremecidos. O governador havia anunciado apoio à candidatura do presidente da Assembleia Legislativa (Aleam), Roberto Cidade. Mas isso ainda não criava o fato consumado do rompimento que, enfim, está oficializado. E daí?

O mundo político é diferente do cotidiano. É uma faina onde transitam o pessoal da conversa, os bombeiros e os incendiários. Daí que David e Wilson têm, hoje, no deputado federal Amom Mandel um inimigo comum. Os dois sabem que será muito ruim perder para adversário tão jovem. E o próprio governador personifica o significado do “cristão novo” nos meandros do Executivo.

A entrevista de David, com a devida cautela, mostra que o “rompimento” terá medidas. Não é assim um rompimeeeentoooo daqueles, onde os dois passam da cordialidade às vias de fato. Fato, aliás, é o protagonismo que os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga ganham, agora como aliados oficiais do prefeito.

O 2º Turno da eleição dita que, se florescer ambiente de ódio de prefeito e governador, Amom pode posar para a foto oficial como sucessor de David. Porque o derrotado embarca na campanha do “novato”, praticamente determinando a vitória dele.

Amom, por seu turno, sem máquina da Prefeitura, Governo do Estado ou Governo Federal, enfrentará uma guerra de David, personificado nele, contra Golias, nas figuras de prefeito e governador.

Aí a tal lupa da política não pode ignorar os outros três preliantes, Capitão Alberto Neto, Roberto Cidade e Marcelo Ramos. Juntos, em qualquer pesquisa, eles acumulam votos suficientes para entrar na briga pelo topo. A representatividade disso cresce, na medida em que Roberto encarna Wilson, Alberto é Bolsonaro e Marcelo o presidente Lula.

O quanto resistirá a “blindagem”, o equilíbrio precário, a barreira, exercida por David e Amom, na liderança da corrida pela Prefeitura? Sim porque, até aqui, surgem novos nomes, movimentos, pernadas, rabo de arraia etc., mas os dois seguem líderes.

O movimento do vice-governador Tadeu de Souza, que assumiu o comando da elaboração do Plano de Governo do prefeito, mostra que Wilson deixou um espaço para diálogo. Tadeu tem surpreendido, na boca braba em que se meteu, como recheio de sanduíche dos dois. Não sairia, por isso mesmo, sem uma conversa de pé de ouvido com o governador. E a postura dele significa, em alto e bom sinal de bastidores, que o vice, primeiro na linha sucessória, foi liberado pelo titular.

David e Wilson romperam eleitoralmente. Politicamente é outra conversa. O futuro dirá.

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