06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A fobia de Braga às câmeras (vídeo), a renitente falta de visibilidade de Melo e os riscos de a campanha se restringir a Sucupira

Publicado em 29 de julho, 2014

Campanhas eleitorais existem para que os candidatos digam ao eleitor qual a razão de postularem o comando dos postos que disputam. No caso do Governo do Amazonas, eles têm que apresentar propostas para enfrentar o gigantismo territorial e administrá-lo, com o orçamento disponível, avançando para o desenvolvimento. Houve escaramuças esta semana entre os dois principais postulantes ao cargo, o senador e líder do Governo Dilma no Senado, Eduardo Braga, e o governador José Melo. Falou-se mais da tentativa de tomar a câmera fotográfica de um amador, em Maraã, por parte de Braga, e da possível perseguição de Melo aos funcionários públicos que das propostas.

Desafiado a encontrar alguém que tome conta da casa, quando vai ficar longo tempo ausente, qualquer um enche-se de cuidados. Imagine a delicadeza da tarefa de escolher quem vai dirigir os destinos desse Amazonas continental. Faltando dois meses e dias para a hora do voto, não há tempo a perder.

Braga estava em carreata, em Maraã, domingo (27/07), quando o fotógrafo amador Joel Reis da Silva apontou sua arm… ooops, a câmera fotográfica, na direção da comitiva. A inteligência de campanha de Eduardo Braga – ele dedica atenção especial a esse item – havia avisado que as carreatas da coligação dele no interior estavam sendo filmadas. O líder do Governo Dilma desceu da caminhonete e partiu em direção ao rapaz, prendendo-o numa gravata, enquanto outros integrantes da comitiva partiam célere para ajudá-lo, na tentativa de tomar o instrumento “agressivo” do suposto araponga.

Veja, ao final deste texto, o vídeo que viralizou nos últimos dias, nas mídias sociais.

Parênteses para explicar que os atos públicos de campanha podem escapar de uma bala, mas não escaparão das lentes das câmeras, principalmente de celulares, espalhadas por milhares de mãos, na capital e no interior do Amazonas.

Braga soltou uma nota, com o título “Chega de perseguição”, para denunciar que os correligionários de Melo filmam os atos de campanha dele para retaliar funcionários públicos.

Novo parênteses para explicar que a falta de critério na escolha de auxiliares diretos, próximos, na administração estadual, é um dos motivos apontados pelo comitê de campanha para a renitente falta de visibilidade de Melo. Há gente que, sabidamente, tem mais proximidade do senador que do governador e continua atuando tranquilamente no Governo. Como exigir militância de alguém assim? Não é à toa que as pesquisas mostram que os eleitores continuam lembrando apenas de Braga como candidato ao Governo e Omar ao Senado – e os dois continuam disparados à frente.

O prefeito Arthur Virgílio, talvez para demonstrar como as coisas devem ser feitas, eliminou os vínculos com o PPS do vice-prefeito Hissa Abrahão, retirando do Governo os mais de 60 membros do partido ancorados, principalmente, na Secretaria Municipal do Trabalho, Desenvolvimento, Emprego e Renda (Semtrad). Eram todos comissionados, isto é, ocupantes daqueles cargos que são nomeados sem concurso público, por pura indicação política, sabendo que podem ser demitidos a qualquer momento.

Há uma lógica política cristalina nisso: Guto Rodrigues, o secretário, e os demais filiados ao partido têm compromisso partidário-eleitoral com Hissa Abrahão. E Hissa apoia Braga. Arthur, por seu turno, chefe da administração municipal, está comprometido com Melo. Deixar prosperar a administração da Semtrad do jeito como estava seria, no mínimo, falta de compromisso com a campanha do correligionário.

Melo, talvez, para dedicar mais tempo à campanha, precisaria de equipe sólida, comprometida, militante. Isso esbarra numa das lógicas mais irrefutáveis da política, em que as aves de arribação só pousam onde há perspectiva de poder. Logo, o atual governador terá que se virar com o que tem, afastar a “governite” e tratar de fazer campanha ou continuará invisível aos olhos da maioria do eleitorado.

As pesquisas – publicadas ou não – mostram que Braga vence a eleição com folga nas zonas Norte e Leste de Manaus. Empata nas zonas Sul e Centro-Sul. E dispara no interior. Surpresa? É aí que fica demonstrado onde Melo precisa aparecer e crescer para tornar mais viável a perspectiva de 2º turno.

A violência contra o aluno da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que estava em Maraã, mas estudou em Tefé e fazia as vezes de fotógrafo, e atitudes tomadas no varejo contra funcionários públicos pinçados em atos públicos não vão engrandecer a campanha. Os dois principais candidatos ao Governo do Amazonas precisam elevar o debate, sob risco pena de arrastá-lo para Sucupira, a longínqua e ainda muito presente cidade fictícia de Dias Gomes – escrita sob medida para um cenário em que os políticos insistem na política pequena.

VEJA O VÍDEO EM QUE EDUARDO BRAGA E MEMBROS DA COMITIVA TENTAM TOMAR A CÂMERA DO FOTÓGRAFO AMADOR, EM TEFÉ:

 

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