Aloísio Mercadante perdeu o Governo de São Paulo, para Geraldo Alckmin, no 1º turno. O segundo maior orçamento da América do Sul está, aliás, desde 1995, início do primeiro Governo de Mário Covas, nas mãos dos tucanos. Para o PT, que planeja manter a Presidência da República por 20 anos, isso é uma humilhação.
Em duas tacadas claramente endereçadas ao meio empresarial paulista, na condição de ministro da Ciência e Tecnologia, Mercadante articulou as facilidades fiscais para estabelecer a fabricante do iPad da Apple, a Foxconn, em Jundiaí (SP), via MP 534, e prepara a extensão dos mesmos benefícios para a produção de telefone e TV. Disse isso, como noticia este blog (clique para ler), no encontro com industriais da Mobilização Empresarial pela Inovação, na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Lideranças técnicas, políticas e empresariais do Amazonas dão o tablet como perdido. “É produto de informática mesmo”; “Já está sendo fabricado fora de Manaus”. Verdade. Todos, de igual modo, são unânimes em dizer que “o risco é as isenções da MP serem estendidas para outros produtos”. O que Mercadante anuncia é a confirmação desse pior dos mundos.
Vejamos: fabricante de tablet com 20% de conteúdo local, no primeiro ano, e 80% em três anos, tem isenção de 31% nos impostos federais. As fábricas instaladas em Manaus não se beneficiam num vintém disso porque já têm isenções bem superiores. Para as indústrias dos demais Estados, que estão no zero, tal incentivo é um banquete.
Com o custo Amazonas nas alturas, uma vez que temos só dois portos (Chibatão e Tomiasi), nada de estradas, o transporte via conteiner mais caro do mundo, os empresários vão começar a fazer contas… 31% de isenções, mais logística completa é igual a concorrência robusta contra todo o modelo Zona Franca.
Aloísio Mercadante era o porta-voz do PT para assuntos econômicos. Quando Lula chegou à Presidência da República, no entanto, nomeou para a Fazenda o obscuro deputado federal Antonio Palocci. A razão? Crítico da política econômica tucana, ele queria mudar tudo. A prudência aconselhou deixar o radical no limbo.
Agora, diante do desafio de ganhar o Governo de São Paulo, Mercadante parece ver a Zona Franca como um alvo inerte. Levar empregos para lá dá voto. Aqui, Estado inexpressivo eleitoralmente, Lula e Dilma já são ídolos.
Vamos abrir o olho ou a política de “os fins justificam os meios” de Mercadante acaba com a Zona Franca.
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