A semana termina com nova revoada de lideranças políticas amazonenses rumo ao Palácio do Planalto. Tudo indica que Eduardo Braga e José Melo marcharão com a chapa da presidente, na reeleição, repetindo o que ocorreu na eleição passada – quando Alfredo e Omar se engalfinharam nas ruas e nos paranás, enquanto ambos pediam votos para a eleita de Lula.
Dilma, que obteve o maior porcentual de votos da história amazonense numa disputa presidencial, fez pouquíssimo caso das promessas feitas ao eleitorado na campanha. A BR-319 continua no mato e o prometido asfalto não avançou um palmo; a verba prometida para ajudar na construção da Arena da Amazônia demorou tanto que quase inviabiliza o balanço estadual de 2013; o dinheiro prometido para ajudar na preparação da cidade na Copa do Mundo evaporou; e é evidente o corpo-mole palaciano em relação à prorrogação da Zona Franca.
Os líderes do Estado precisam do apoio político presidencial para suas pretensões locais. A presidente acerta com ele e tudo o que deixou de fazer vira letra morta.
O estacionamento e o saguão de passageiros do aeroporto Eduardo Gomes alaga, poucos meses depois de ter sido entregue, mas nenhuma voz se ergue para reclamar. Ninguém aponta o desprezo ao dinheiro público e a falta de compromisso da Infraero e do consórcio responsável pela obra. Infraero que, é bom lembrar, tem diretoria admitida/ demitida pela caneta presidencial. E se julga tão independente a ponto de se considerar acima da Lei do Estacionamento Fracionado, porque é “federal” e, sob o amparo de Dilma e companhia, não aceita nada “municipal”.
Dilma perde no Pará, onde o PT ficou seriamente arranhado pela desastrosa gestão da ex-governadora Ana Júlia Carepa. Perde no Acre, apesar de todo o dinheiro levado pelos irmãos Jorge e Tião Viana, em Rondônia, Amapá e Roraima. Em todo o Norte ganha, disparado, apenas no Amazonas.
O mundo seria outro se, na hora de fechar acordo, os líderes dissessem: “Presidente, conte comigo, mas, antes, mande o dinheiro para a Prefeitura ou Manaus vai passar vexame durante a Copa”; ou “Presidente, estamos juntos e misturados, mas comece a asfaltar a BR-319 nos próximos meses”; ou “Conte comigo, mas mande a base aliada, que tem quase 70% do Congresso Nacional, aprovar a prorrogação da Zona Franca logo”.
A articulação é legítima. Buscar apoio político é do jogo democrático. O que não pode é passar uma borracha sobre o descumprimento de compromissos e achar que o povo está de olhos fechados.
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