
Conheça o padre vermelho, na foto com o Papa João Paulo II, beatificado em 1º de maio de 2011, durante o período que estudou em Roma
O padre Manuel do Carmo, doutor em Teologia Moral pela PUC-SP, que fez parte dos estudos em Roma, era pároco da igreja de N.S. de Lourdes, em Parintins.
A certa altura, um paroquiano foi denunciar que a esposa tinha recebido alta do hospital Padre Colombo, da Diocese, mas continuava muito doente.
Padre Manuel, parintinense, ficou conhecido como “padre vermelho”, por causa do espírito contestador, e “de coração azul”, por torcer pelo Boi Bumbá Caprichoso.
O pároco não contou conversa: botou a boca no trombone, nos microfones da rádio Alvorada, denunciando o diretor do hospital e o médico que deu a alta precoce. “Vamos tomar providências jurídicas, se essa mulher vier a falecer”, avisou.
Ocorre que a rádio Alvorada também é da Diocese. Estava criado o inusitado caso de a Diocese denunciar a própria Diocese.
Padre Manuel fez a denúncia e embarcou para o interior, numa de suas “desobrigas”, que são viagens de dias, até meses, pelas comunidades rurais.
O diretor e o médico correram no bispo diocesano de Parintins, Dom Giovanni (João) Risatti, sucessor do lendário Dom Arcângelo Cerqua.
O bispo não pensou duas vezes: “Ele (o padre) está mais do que certo. A rádio e o hospital são da Diocese, mas esses médicos ficam fazendo essas coisas e têm mais que ser denunciados”.
Os dois, diretor e médico, passaram a tarde “caçando” a paciente pelos bairros de Palmares e adjacências. Quando o padre voltou do interior ela já estava em casa, curada e agradecida.
Esta semana, diante de um corte de energia no Projeto de Assentamento (PA) Gleba Vila Amazônia, do interior de Parintins, pela Amazonas Energia, ele reuniu dezenas de entidades e denunciou o problema. Há um acordo, para que o Linhão de Tucuruí passe pelo local, em troca do fornecimento gratuito de energia. E a pessoa atingida é carente.
A Amazonas Energia contesta esse acordo e quer receber pelo serviço. Com a pressão do “padre vermelho” e as entidades sedentas de ação, a empresa tomou a decisão salomônica de fazer, ela própria, o pagamento dos atrasados. O problema foi resolvido e a energia restabelecida.
Coisas de Parintins.