
Hora dos caciques é explicada neste editorial. Ao final tem o vídeo original, com o jornalista Marcos Santos (foto)
O 1º de abril, Dia da Mentira e do último prazo da “janela de filiação partidária“, expõe as vísceras do “jeitinho brasileiro”. Começa que a “janela” é uma desfaçatez para os políticos traírem as siglas pelas quais se elegeram. E olhe que eleição significa compromisso com o Estatuto Partidário, metas de campanha etc. etc. Depois entra o vale tudo, as pernadas, os líderes se engalfinhando, a compra descarada…
Sun Tzu, o general chinês citado para tudo, mas que traz lições fundamentais, ensina sobre a “guerra com a espada embainhada”. É, por exemplo, quando uma porta fechada aqui ou uma aliança ali pode tirar até favoritos da eleição.
Amazonino, o ex-tetra-governador, com todos esses anos de praia, encontrou no senador Plínio Valério um obstáculo inesperado para a aliança com o arquirrival Arthur Virgílio. E ainda não acabou.
Plínio ainda pode causar problemas se Amazonino for para o Cidadania, por exemplo: o partido vai federalizar com o PSDB e a união cria um único CNPJ, isto é, só poderá ter um candidato a governador. E o senador quer que seja ele, Plínio.
Até o senador Eduardo Braga, quietinho no MDB dele, pode ser levado de roldão desse momento caciquesco. O ex-presidente Michel Temer, sem mandato, quer a sigla na aliança com o PSDB para criar a “terceira via”. Se isso acontecer, lá vai Dudu se enredar na disputa de Plínio e Amazonino. Só um deles será o candidato.
O governador Wilson Lima, por seu turno, filiou-se ao União Brasil, formado pelo Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL). Tem a maior verba partidária e eleitoral da eleição. O maior tempo de rádio e TV. E, até agora, não sofre contestação quanto à candidatura à reeleição. Viaja em céu de brigadeiro.
Sofrem os candidatos a deputado estadual e deputado federal. Cada partido ou união federativa só pode indicar candidatos no número de vagas disponíveis mais um. No Amazonas, onde há 24 vagas na Assembleia Legislativa e oito na Câmara Federal, são apenas 25 candidatos a deputado estadual e nove a deputado federal por sigla ou federação.
O eleitor, que deveria ser o protagonista, a noiva cobiçada do pleito, torna-se mero espectador. A opinião pública, como se viu na aliança Arthur-Amazonino, não é levada em conta, sob o argumento de que “tudo se explica depois”.
Somem as propostas. Desaparecem as ideias, que deveriam embasar a construção de um futuro melhor para todos os brasileiros. A hora é de dar pernada. Salve-se quem puder.
VEJA O VÍDEO ORIGINAL DESTE EDITORIAL: