As administrações Serafim Corrêa e Amazonino Mendes, na Prefeitura de Manaus, fizeram repactuações quanto à concessão de água e esgoto nesta capital. Mudaram regras. Trocaram empresas ou, pelo menos, os nomes delas. Investiram perto de R$ 300 milhões na renovação das adutoras, num trabalho que escavou a cidade e contribuiu para acabar de vez com o asfalto, atravessando perto de quatro anos. Outros R$ 380 milhões foram gastos no Governo Eduardo Braga para construir o Programa Águas para Manaus (Proama). A falta d’água continuou e, agora, adutoras estão se rompendo numa frequência assustadora.
É surreal que a cidade banhada por dois dos maiores mananciais de água doce do planeta, os rios Negro e o Amazonas, tenha milhares de moradores sem água potável nas residências. Soa inacreditável para quem mora aqui, imagine para um chinês que bebeu todo o rio Pó e sonha com as imagens de fartura nos rios amazônicos.
A água é bem tão precioso que um litro de água mineral, vendido em qualquer esquina de Manaus, custa mais que os R$ 3,00, em média, do preço do litro da gasolina. Uma garrafinha de 250ml, um quarto de litro, custa R$ 2,00.
A França gastou bilhões para ter o mínimo de limpeza no rio Sena. Idem para Londres, com o Tâmisa. Manaus, com centenas de Senas e Tâmisas, que chama de igarapés, não consegue manter nenhum deles limpo, após a passagem pela cidade. Ninguém valoriza esse bem.
Manaus precisa ter opinião própria. É muito ruim ouvirmos, seguidamente, a justificativa oficial de que “uma queda brusca de corrente provocou ondas e rompeu as adutoras”, numa cidade onde variações na corrente elétrica são rotina. De onde é que apareceu esse tsunami nas adutoras?
A renovação desses tubos saiu, em última instância, do bolso do usuário, via reajuste pesado concedido à empresa de plantão, na época do início do trabalho. É hora de cobrar que adutoras não rompam mais. Engenharia é ciência exata. Ou a cidade exige respeito ou, em breve, novo reajuste aparecerá no horizonte, onerando o bolso do consumidor e, pior, mantendo a inacreditável falta de água potável nas vidas dos manauaras.
PS: O blog havia decidido manter em destaque o editorial sobre o retorno que o supermercado DB chama de seu, até que o mesmo seja fechado. A ordem do prefeito Arthur Virgílio foi dada, mas, até agora, o superintendendente municipal de Transportes Urbanos, Pedro Carvalho, não a cumpriu, apesar do desgaste diário na imagem do administrador. Continuamos aguardando. Temos fé para esperar.
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