O governador Omar Aziz demitiu, nesta quarta-feira, a diretora do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Mônica Melo. Vai para o lugar dela o ex-vereador Leonel Feitoza. É o desfecho de um longo processo político e os desdobramentos chegam à sucessão do próprio Omar.
Mônica foi nomeada por Eduardo Braga. Dizem (ninguém nunca confirmou oficialmente), que o ex-governador teria pedido a Omar que a mantivesse no cargo. Era, portanto, “da cota” de Braga.
Até aí tudo bem. Faz parte do jogo político. Ninguém pode negar a influência de Braga na reeleição de Omar. Ocorre que Mônica adotou uma postura de “dona do Detran-AM”. Há quem diga que fazia pouco caso das ordens diretas do governador. A gota d’água foi a fiscalização da Lei Seca, que em outros Estados é uma importante arma de marketing para o Governo, como no Rio de Janeiro, e em Manaus se mostra absolutamente flácida.
Omar e Braga, pelo que corre nos bastidores, teriam feito um acordo de que o final do primeiro mandato do governador e o primeiro ano do atual seriam usados para cumprir compromissos de Braga. Entre eles estão os pagamentos de mais de 50% da Ponte Rio Negro – uma bagatela de R$ 600 milhões sobrou para Omar. O Governo do Amazonas fechou 2012 com as mãos amarradas e ainda está lutando para fechar as contas. Basta ver como a Sefaz está aumentando impostos a torto e a direito.
A prática do Governo, o dia-a-dia da administração, afastam cada vez mais os dois líderes. Ninguém consegue governar, precisando implantar métodos, práticas, políticas individuais, com uma “sombra” poderosa como a de Braga. No final do ano passado, uma funcionária de segundo escalão foi ameaçada de demissão por assessora do ex-governador. Tinha cometido o “imperdoável” pecado de deixar de revelar ao “chefe” os bastidores de jantares onde participaram o atual governador e o atual prefeito. Foi demitida. O ato estava no Diário Oficial quando o próprio Omar interveio e sustou tudo, até porque a funcionária estava grávida. Isso é força. Está aí uma demonstração de como a presença do ex-governador é real na atual administração.
Mônica Melo é, portanto, uma peça nessa enorme engrenagem de poder.
Com a nomeação da deputada federal Rebecca Garcia (PP-AM) para a Secretaria Estadual de Governo (Segov) e agora a demissão de Mônica, aprofunda-se o fosso Braga-Omar.
O que o governador ainda não percebeu é o risco de que tudo acabe num desfecho catastrófico para ele.
Eduardo Braga se mantém como favorito na disputa eleitoral. Ou é combatido por uma coalização unida, sistemática, num processo planejado e amplo, ou vai chegar a 2014 tão forte que a única saída de Omar será fazer acordo com ele e apoiá-lo na candidatura ao Governo do Estado. E esse apoio soará como rendição.
Todos os movimentos de Omar, até agora, são como os de um boxeador de braços curtos, que jamais consegue atingir o adversário. Leonel Feitoza precisa, entre outras coisas, fazer valer a Lei Seca e acabar com aquele nefasto cemitério de carros dentro do Detran-AM, para começar. Isso depende de apoio do núcleo central do Governo ou tudo vai para a letra morta da política e do marketing.
Rebecca Garcia, por exemplo, foi nomeada para viabilizar a candidatura ao Governo do Estado. Agora já se fala em José Melo como candidato. A secretária estadual de Esporte e Lazer, Alessandra Campelo, que na eleição irá para onde o PCdoB mandar, tem mais assessores de imprensa, fotógrafos e cinegrafistas que os dois juntos. É isso que se chama de “viabilizar candidaturas”?
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