05/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O legado de Amazonino e os desafios de Arthur Virgílio

Publicado em 27 de dezembro, 2012

Termina a administração de Amazonino Mendes, embora a ficha ainda não tenha caído para alguns integrantes da administração de Manaus – vai demorar ainda dias, mas isso é perfeitamente normal –, e começa o período de Arthur Virgílio Neto.

Amazonino desistiu da administração faz tempo. Criou-se, a partir daí, disputas internas e feudos de comando que não passaram despercebidos da população. A inutilização do anfiteatro da Ponta Negra, que até hoje não recebeu uma só nota musical, foi birra de um secretário com outro. A bola da avenida do Turismo com Estrada da Ponta Negra (avenida Coronel Teixeira) não iniciou por outra disputa de egos. Dinheiro liberado para obras ou fornecedores, com tudo pronto para pagamento, também ficava dias pendente de mais uma autorização.

O Centro, outra vez, ficou entregue ao Deus-dará. Amazonino já havia feito isso antes, quando recebeu a área totalmente limpa, sem lixeiras viciadas e sem ambulantes, mas, tendo baseado a campanha na crítica ao modo como o antecessor, o mesmo Arthur Virgílio que o sucede, retirou os camelôs, permitiu a volta indiscriminada deles. Foi-se uma chance de ouro para reorganização e disciplinamento do local. O pepino volta agora para as mãos de Arthur.

O ex-prefeito deixa, apesar disso, algumas obras importantes, que marcaram os primeiros dois anos de seu trabalho, dando a impressão de que as coisas andariam mais céleres que na gestão anterior. São exemplos disso a conclusão do viaduto da Bola do Coroado (Gilberto Mestrinho), a passagem de nível da avenida Umberto Calderaro Filho ( Paraíba) com V-8, o viaduto da Bola do São José e a primeira etapa da Nova Ponta Negra.

Criou o Bolsa Universidade e as Carretas da Mulher, contribuições sociais inequívocas, e o polêmico Leite do Meu Filho, desaconselhado pelo Ministério da Saúde pelo risco de conflitar com a necessária amamentação materna.

A mais importante contribuição, porém, é, sem dúvida, a elevação da receita municipal de R$ 1,2 bilhão para os R$ 3,4 bilhões previstos no orçamento deste ano.

A cidade quase perdeu os buracos, mas o asfalto ficou ainda mais medíocre, cheio de ondulações, merecendo o título de “pula-pula”, ao mesmo tempo que a cidade perdeu toda a sinalização de trânsito (horizontal ou vertical), que, aliás, reaparece palidamente nos dois retornos recém-construídos na Estrada da Ponta Negra, após os diversos acidentes ocorridos no primeiro.

Nota-se que Arthur Virgílio teve dificuldade em formar o secretariado. Atrasou a entrevista coletiva em duas horas porque faltavam os nomes para as pastas do Meio Ambiente e de Requalificação do Centro de Manaus. Isso provocou protestos de jornalistas, que se acostumaram a fechar as pautas dentro do horário, baseados na pontualidade do governador Omar Aziz.

O parto, enfim, comandado pelo competente e inflexível Rodemarck Castelo Branco, está pronto.

O que se espera? Ação. Inovação. Presença do prefeito nas ruas. Uso profilático da “lua-de-mel com o poder”, característica dos primeiros meses de administração, para os gestos mais duros, embora necessários.

Arthur é um sujeito acostumado a enfrentar problemas. Senta num canto, rabisca num papel as metas, delega tarefas e começa a perseguir os objetivos traçados. Dizem que agora trocou os rabiscos, só decifráveis pela esposa Goreth, pela secretária dele no Senado, Ju, e um ou dois outros assessores, por um moderno computador portátil. Note a regência do verbo “perseguir”. A luta dele para atingir o alvo não tem hora do dia para iniciar nem para terminar.

O estilo apareceu na entrevista coletiva, quando o novo prefeito mandou um recado aos empresários de ônibus: “Tarifa de ônibus não é tabu e quando tiver que ser dada será dada. Mas considero uma ofensa discutir isso pela imprensa e sem falar comigo. Vou cumprir a minha pauta, tapando os buracos das ruas para quebrar menos ônibus, entre outras coisas, mas vou discutir e cobrar a pauta de vocês”.

Manaus não tem quatro anos para perder. Arthur menos ainda. Imagino que os planos dele sejam trabalhar duro os quatro primeiros anos, brigar pela reeleição e, em seguida, buscar a volta ao Senado Federal. Isso se faz errando o mínimo e acertando o máximo.

Boa sorte, Arthur.

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