05/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A dança das pesquisas e a credibilidade desse tipo de levantamento no clima de disputa eleitoral

Publicado em 25 de setembro, 2012

“Ninguém faz campanha eleitoral baseado em feeling. A última pessoa que viveu de feeling foi o Morris Albert” (Nizan Guanaes, publicitário e marqueteiro). A frase, na qual o comandante de campanhas presidenciais, rival de Duda Mendonça e dono das agências DM9 e África lembra a famosa música “Feelings”, de autor brasileiro, sucesso mundial, ilustra a importância que as pesquisas têm para orientar os candidatos. Mas elas orientam também os financiadores e induzem eleitores indecisos a votar em quem está subindo ou dispara na frente. É aí que começa o vale-tudo dos institutos de pesquisa.

Manaus assistiu com surpresa, quinta-feira da semana passada, à publicação da pesquisa do Ibope, feita para a Rede Amazônica, na qual a candidata Vanessa Grazziotin (PCdoB) gruda no principal adversário, o ex-senador Artur Virgílio Neto, ambos com 29% das intenções de votos. Que fato teria o poder de estagnar o tucano e guindar a comunista ao empate? O ovo? O cuspe? A goma do confete? A chegada de um novo e endinheirado financiador? A presença do Lula (que chegou quando a pesquisa estava coletada)? O natural, então, seria que ele caísse para ela subir e não que ela chupasse os votos dos demais concorrentes que, aliás, não tinham nada com isso.

A empresa Action publicou, domingo, outro levantamento que confirma os números do Ibope: Artur 29%, Vanessa 28%. Aumentou ainda mais as dúvidas. Ouvi, de moradora de um dos prédios mais classe média-alta de Manaus, que vários vizinhos tinham declarado, domingo, no elevador, que mudaram o voto a partir desses números. Pior é que, nesse caso, como trata-se de gente endinheirada, mudam o voto e a direção do patrocínio, enfraquecendo ainda mais o concorrente apontado com números adversos.

Conversei com o Ronaldo Tiradentes, segunda-feira, sobre a coleta de dados da pesquisa da rádio CBN Manaus, em fase de conclusão. Falamos do risco de apresentar números diferentes dos do Ibope e da Action e errar no resultado final do Primeiro Turno. Ele me garantiu que, da coleta de dados à tabulação final, estava tomando todo cuidado. O resultado foi divulgado hoje e você pode conferir no quadro ao final deste texto.

Por que os institutos que aceitam vender resultados de pesquisa eleitoral ou que, digamos, erram de boa fé os resultados, não são escorraçados do mercado? Porque eles, após terem feito e acontecido no período anterior, se esmeram na última pesquisa, geralmente publicada no último prazo permitido pela legislação eleitoral, e aí chegam muito perto do resultado do pleito.

O “negócio” firmado entre políticos e pesquisadores desonestos tem uma “ética” (a frase correta é “tem uma ausência de ética…”) toda peculiar. O “dono” dos números mexe dentro da margem de erro. Digamos que o candidato a ser beneficiado tenha 36% e o adversário 42%, com margem de erro de 3%. A divulgação apresentará empate em 39%, sem nem tremer a cara, mas aí vem o grande golpe: o “cara” do instituto vai logo avisando que o “capo” da candidatura beneficiada tem até o prazo limite para divulgação de pesquisas para chegar ao número fraudado.

A fórmula é surrada. Contrata-se milhares de cabos eleitorais. O volume de propaganda dobra, triplica, quadruplica. Os candidatos proporcionais são entupidos de material publicitário do majoritário. Providenciam-se factóides a torto e a direito. Não são raros os casos em que o esforço é tão grande que, na hora “H”, os números alinham-se com a fraude praticada anteriormente.

Ouve-se sobre isso aos montes, nos bastidores da política, de Norte a Sul do Brasil. Dá cada vez menos certo, mas já foi quase uma vara de condão dos caciques.

Os veículos de comunicação acabam sendo levados de roldão por esses “acertos”. O Diário do Amazonas, em 2004, publicou uma pesquisa, no dia da eleição, dizendo que Amazonino Mendes venceria Serafim Corrêa por 57% a 43%. Dia seguinte, abertas as urnas, deu Serafim 52% e Amazonino 48%. O Diário processou o instituto Vox Populi, autor da pesquisa.

O bom, nesse caso, é que estamos há duas semanas do Primeiro Turno, que ocorrerá dia 7 de outubro. O eleitor deposita o voto durante o dia e lá pelo começo da noite o resultado da eleição estará disponível. Oficial. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O leitor/eleitor pode mudar a regra do jogo anotando não a pesquisa da sexta-feira 05/10 – quando todos os institutos vão caprichar para tirar o nome da reta –, mas essas últimas, publicadas agora. Nada que aconteça nesses próximos 13 dias, a não ser que seja uma catástrofe monumental, terá o condão de alinhar números tão contraditórios.

Confira (e guarde) os números das últimas pesquisas divulgadas pelos diversos institutos que atuam em Manaus:

CBN Manaus/ UP/ DMP (publicada em 25/09)

Artur Virgílio Neto 38,21%

Vanessa Grazziotin 30,11%

 

Action/ A Crítica (23/09)

Artur Virgílio Neto 29%

Vanessa Grazziotin 28%

 

Ibope/ Rede Amazônica (20/09)

Artur Virgílio Neto 29%

Vanessa Grazziotin 29%

 

Perspectiva/ Rádio Difusora/ TV Band Amazonas (11/09)

Artur Virgílio Neto 34%

Vanessa Grazziotin 27%

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