19/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

As contribuições de Reyzon Gracie e Osvaldo Alves na formação do jiu-jítsu amazonense

Publicado em 19 de setembro, 2012

Quando alguém tenta contar a história do jiu-jítsu amazonense esbarra no fanatismo, nos egos inflados e na falta de memória do nosso povo. Ninguém, porém, pode negar a importância de dois nomes nesse processo: Reyzon Gracie, o primeiro mestre a ensinar a arte marcial em Manaus e o fundador da Federação Amazonense, e Osvaldo Alves que, com sua organização, conseguiu sistematizar as academias, reciclar os professores, reformar e organizar a federação e graduar campeões estaduais, como Ronaldo Jacaré e Fredson Paixão.

Reyzon e Osvaldo têm muita história no jiu-jítsu e nas artes marciais em geral.

Perguntaram a Rickson Gracie, o mais emblemático dos lutadores da família e que encerrou a carreira invicto, qual o lutador mais importante do jiu-jítsu. “Reyzon “, respondeu, “porque me mostrou que nossa arte é eficiente também na rua”.

“Sensei (professor) Fininho”, como Reyzon é conhecido, sempre teve uma constituição franzina, mas nunca se intimidou se uma turma de fortões fizesse algo que considerasse desrespeitoso, mesmo se ele estivesse sozinho, num bar ou numa boate.

Só para o leitor ter ideia, Edson Baiano, aquele faixa preta de jiu-jítsu que, ao lado do irmão, também faixa preta, quebrou todo o amazonense Wallid Ismail, traiçoeiramente, no Rio de Janeiro, falou muito mal da família Gracie depois disso. Reyzon, aos 60 anos, o encontrou em Salvador (BA) e não contou conversa – sapecou-lhe um tapa no meio do rosto, mergulhou nas pernas e o jogou no chão, numa queda popularizada no jiu-jítsu como “baiana”. Os amigos de ambos intervieram e não deixaram que o combate prosseguisse.

Um sexagenário partir pra cima de um casca grossa desses é, no mínimo, uma demonstração do mais absoluto destemor. “Ele se julga o topo da cadeia alimentar. Não é que supere o medo, é que o Reyzon não tem medo”, afirma o ex-senador e candidato a prefeito de Manaus, Artur Virgílio, contemporâneo do sensei.

Artur, aliás, hoje faixa vermelha e preta (coral) de jiu-jítsu e preta de judô, foi quem trouxe para Manaus tanto Reyzon Gracie quanto Osvaldo Alves. Ele era campeão carioca de jiu-jítsu e, de férias na capital amazonense, numa luta casada, enfrentou e venceu Nilsão, o então campeão brasileiro universitário de judô peso-pesado. Todos os rapazes da época passaram a também querer aprender aquela luta. Afinal, Artur pesava 60 quilos e vencera um super-lutador de quase 100 quilos.

Reyzon formou uma geração onde despontavam Luiz e Fernando Façanha, Aly Almeida, Patuca Caminha, Kako Caminha e Botinho – um brigador de rua treinado e que fez de freguês muito nome depois famoso na crônica policial da cidade. “O Luiz Façanha se tornou um professor muito bom e talvez até tenha dado uma contribuição ao jiu-jítsu local maior que a minha”, afirma Reyzon.

Osvaldo veio depois, quando o número de praticantes da arte marcial na cidade já era expressivo, mas estava faltando reciclagem. Só os mais abastados podiam se dar ao luxo de fazer atualizações no Rio de Janeiro e melhorar o nível pessoal e de suas academias.

O caráter metódico de Osvaldo, bicampeão panamericano de judô, que começou a praticar aos cinco anos, e atleta de jiu-jítsu desde os sete anos, com estudos no Japão, onde morou, foi fundamental para tornar o Amazonas segundo polo nacional da modalidade.

Os dois têm, portanto, méritos suficientes para merecer as homenagens dos desportistas amazonenses. E ambos estão na terra. É uma boa hora para homenageá-los.

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