05/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Greve, intransigência e o povo servindo de massa de manobra

Publicado em 22 de agosto, 2012

Há 19 categorias de servidores públicos federais em greve neste momento. Os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por exemplo, completaram 98 dias de paralisação nesta quarta-feira (22/08). Incomoda muito, no meio disso, os transtornos vividos por quem não tem nada com isso e a repetição da estratégia de usar o povo como massa de manobra.

Há alternativas. Por que não dirigir a greve contra o patrão? Defendo, faz algum tempo, que motoristas e cobradores de ônibus, no lugar de atravessar os coletivos nas ruas e impedir o trânsito, abram as roletas e deixem todo mundo passar sem cobrar a passagem. O método tradicional já foi até usado em Manaus para pressionar o prefeito a aumentar o preço da passagem, em grave distorção da filosofia do movimento operário. Qual o patrão que, vendo o povo satisfeito por não precisar pagar a passagem e apoiando os grevistas, não pensará duas vezes antes da intransigência em negociar?

Há outros exemplos, no caso dos funcionários federais, de como pressionar o Governo do PT a sair dessa intransigência que corta o ponto da companheirada e insiste em oferecer o mínimo. Intransigência incrível, diga-se, em se tratando de uma administração feita por partido forjado na luta trabalhista.

Por que um menino de 18 anos, que sempre foi aplicado na escola e passou de primeira no vestibular da Ufam, precisa perder um ano inteiro de escola por conta da greve? Os professores poderiam, no lugar disso, dirigir seu potencial de fogo contra o “patrão”. Manteriam as aulas e dedicariam, didaticamente, uma parte do tempo a explicar os meandros do julgamento do mensalão – como o dinheiro público foi drenado para pagar parlamentares e garantir a sustentação do Governo Lula; quem ficou impune; quais foram os responsáveis por articular esse esquema etc. Com a popularidade em risco, o Governo Dilma desceria das tamancas e, rapidamente, trataria de oferecer melhores condições para encerrar a greve.

Os auditores fiscais da Receita Federal, no lugar de congestionar os aeroportos e desafiar a paciência e os compromissos dos passageiros, comércio e indústria, poderiam simplesmente diminuir a amostragem e entregar panfletos explicando importância e dificuldades da função. Um laissez faire, laissez passer em portos e aeroportos teria impacto na balança comercial e afetaria a economia em geral. Obrigaria o Governo a levar o movimento a sério.

Que tal se, no lugar de cruzar os braços, os auditores se declarassem em “plantão permanente”, sem sair da “repartição”, julgando todos os casos pendentes no fisco, com a determinação de, na dúvida, ficar a favor do cidadão?

Os líderes dos funcionários federais certamente estão incomodados com a impopularidade da greve, enquanto o Governo Federal assiste a tudo, impassível, esperando que a pressão popular empurre os grevistas à negociação por baixo.

Sair de greve com as mãos abanando é um filme repetido. Está na hora de mexer no roteiro.

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