
Médicos precisam confrontar Amazonino
A sociedade brasileira, mal planejada e desorganizada, é regida por um item terrivelmente concreto: a vontade política. O governante de plantão, em outras palavras, é quem decide quem ou o que vira prioridade. Amazonino Mendes, definitivamente, não priorizou as cooperativas do setor de saúde. Médicos, enfermeiros e técnicos amargam atrasos que chegam a quatro meses. Ainda há cooperativa com metade de um salário de 2017 pendente de pagamento.
Foi aprovado o estupro no orçamento do turismo e do interior, transferido para a saúde. O governo anuncia que “estuda” quanto disso será destinado ao prometido pagamento dos salários e de fornecedores. Ou seja, primeiro os profissionais de saúde foram instrumentalizados para pressionar os deputados estaduais. Agora, a transferência do orçamento era “para a saúde” e não apenas para repor salários atrasados.
Os médicos estão diante de opção clara. Ou reagem e denunciam a manobra de Amazonino, vigorosamente, ou também ficarão distantes da “vontade política” de Wilson Lima. O governador eleito, embora recém-chegado à política e neófito em administração, tem “feeling” e assessoria. Perceberá, rapidamente, que médicos, enfermeiros e técnicos em saúde são fracos na pressão. E o criminoso atraso salarial vai continuar, indefinidamente, sob o argumento de que “o problema foi criado na gestão anterior”.
Rumores começaram a circular nos bastidores. Um deles afirma que o sistema para, também se fornecedores não forem pagos. Outro fala que a dívida com os médicos é milionária e, apenas por isso, o Estado não consegue pagar.
Os dois argumentos têm o mesmo vício. Ambos derivam da má gestão dos bilhões destinados, todos os anos, ao sistema de saúde. Resvalam, ao mesmo tempo, no perigoso manejo de verbas federais, que deu em investigação severa e resultou na operação Maus Caminhos. Sendo que o Ministério Público Estadual também fiscaliza o setor.
Fornecedores e médicos tem uma conta milionária para receber por causa dos atrasos. Alegar o contrário – dizer que atrasos ocorrem porque a conta é milionária – é desfaçatez, cinismo e mau caráter. A conta é milionária, também, porque se refere a todos os médicos, de todas as cooperativas. Todos foram deixados no limbo por Amazonino e sua turma.
Os secretários reuniram as cooperativas. Primeiro para dizer que nada mais seria pago em salários até dezembro. Depois, diante da repercussão negativa e até ameaça de paralisação, para afirmar que tudo dependia apenas da Assembleia. Agora, com o remanejamento do orçamento aprovado, o problema é a dívida com os fornecedores.
Lideranças de médicos, enfermeiros e técnicos que aceitaram o “cala-boca” governamental estão sob risco. Ou reagem, diante de mais um calote que, tudo indica!, está a caminho, ou ficarão sem a opinião pública. Aí essas categorias correm o risco de execração, em caso de concretizarem a paralisação anunciada.
É ele, o Negão, Amazonino, o avalista da promessa de pagamento dos salários dos médicos, enfermeiros e técnicos. Mas que avalista é esse que não dá as caras?
Amazonino tenta usar o aval da Assembleia Legislativa no orçamento para fechar o governo com o mínimo de danos. Terá que dividir o gasto autorizado, o remanejamento orçamentário, com fornecedores e trabalhadores. Isso é praxe na vida concreta do administrador. A questão é a surrada prática de empurrar os problemas com a barriga. Não há tempo para isso.
O ocaso do governo e da carreira de Amazonino, ambos próximos, estão sendo acompanhados sem nenhum interesse pelo próprio. Sumiram as “lives” do Negão sorridente, bem-humorado, todo ternurinha. O Boeing está em velocidade de cruzeiro e o piloto sumiu.
Sugestões para quem tem salário atrasado? #voltanegão #paganegão #aparecenegão #negãopagadordepromessa. Caprichem na hashtag. E muita prudência para evitar prejudicar quem não tem nada com isso – o povo. Mas fica o aviso de que ou endurecem o jogo com Amazonino ou ficará feio tentar fazer o mesmo com Wilson Lima, recém-chegado ao poder. Ou seja, se não sair salário agora vêm aí mais alguns meses sem ele. Quem aguenta?