
Sexta Alfredo e Pauderney com Amazonino e sábado com Omar. O que houve? Pauderney (esquerda) e Alfredo (direita) são pré-candidatos a senador e correm atrás de apoios, como o de Silas Câmara (centro) que se definiu por Omar Aziz. Entenda o panavueiro
Os deputados federais Pauderney Avelino (DEM) e Alfredo Nascimento (PR) protagonizaram uma incógnita, no fim de semana. Sexta-feira, os dois foram, à noite, à festa dos 40 anos do prefeito Arthur Virgílio. O evento marcou a presença do governador Amazonino Mendes, num clima de noivado consumado. Sábado, porém, Pauderney e Alfredo também foram ao lançamento das candidaturas do PRB, de Silas Câmara. Omar Aziz estava lá. O que houve? Afinal, Amazonino e Omar concorrem pelo apoio de Arthur e os dois deputados federais terão que escolher um lado. Veja, a seguir, as explicações para esses e outros panavueiros da política amazonense.
Pauderney e Alfredo explicam com simplicidade os fatos, a aparente contradição de sexta e sábado. Sexta, os dois teriam ido ao evento do prefeito Arthur Virgílio. E Amazonino estava lá. Sábado, ambos foram prestigiar Silas Câmara. E Omar estava lá.
Pauderney e Alfredo buscam apoio para as candidaturas deles ao Senado. Praticam o que os marqueteiros chamam de “ciscar para dentro”. Os dois querem o apoio do prefeito Arthur e também das igrejas Assembleia de Deus e Universal, ligadas a Silas. Depois, com as coisas assentadas, farão a escolha do candidato ao Governo do Estado.
Silas Câmara, que chegou a dizer que não tinha candidato ao Governo do Estado, anunciou que marchará com Omar Aziz. No evento de sábado, as coisas pareciam bem definidas entre os dois.
Omar Aziz, que sexta participou dos funerais da mãe, Delphina Aziz, deu uma crescida nas pesquisas eleitorais. Entrou no game, como se diz. Ele é considerado o fiel da balança para a realização do 2º Turno. Sem ele, a possibilidade de Amazonino ganhar no 1º Turno passa a existir.
Omar tem dito que é candidato de qualquer maneira. Quer derrotar Amazonino, mesmo perdendo a eleição. O governador, por seu turno, teria deixado escapar que quer “colocar Omar em seu lugar”. Todos sabem que os dois são de negociar. Aguarda-se os próximos capítulos para saber se, realmente, desta vez agirão com os fígados.
As pesquisas eleitorais mostram que o presidente da Assembleia, David Almeida, vai se consolidando como principal adversário de Amazonino. Saíram três pesquisas. Duas registradas na Justiça Eleitoral e uma não registrada. As três seguem a mesma tendência: o governador Amazonino Mendes lidera as intenções de votos e David Almeida é o mais próximo dele.
Costuram-se, nos bastidores, alianças que buscam o xeque-mate governamental. A principal e mais visível de todas é a de Amazonino com Arthur. O governador tenta anular a máquina da Prefeitura e tirar dos calcanhares o principal adversário histórico. Evita o fortalecimento dos concorrentes e avalia que, com Arthur apoiando, pode até voltar ao dominó de todos os dias.
As pesquisas registradas são da Action (TRE-AM 08474/2018, 09/07/2018) e da 365 (TSE AM-01356/2018, 09 a 14/07/2018).
Uma olhada atenta nos números mostra cenários interessantes. David Almeida, por exemplo, é mais forte no interior que na capital. Reflexo do repasse do Fundeb aos professores? O radialista Wilson Lima, midiático, fruto do bate-estaca da Rede Calderaro na Prefeitura, é brutalmente reduzido no cenário interiorano. Amazonino ainda não colheu os votos do asfalto, que começa a enegrecer as ruas das sedes municipais.
Eduardo Braga lidera com folga a disputa para o Senado Federal. E começa a ter o nome citado na disputa do Governo do Estado, embora tenha anunciado que concorre à reeleição. Resta saber se esse renascimento, expontâneo, será estimulado pelo senador.
O ex-presidente e presidiário Lula aparece na liderança das pesquisas para presidente no Amazonas. Seguido por Jair Bolsonaro. Daí se explica a posição da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). Rejeitada como aliada de David Almeida, após publicação de foto dos dois, ela briga pelo segundo lugar. Está ombro a ombro com Alfredo Nascimento.
Rebecca tem o nome retirado, nas pesquisas estimuladas, que são as que valem, para governador e senador. Mas, apesar disso, continua aparecendo bem na disputa do Senado. Ela acha que, a partir do momento que definir o que vai disputar, os eleitores estarão mais à vontade para acompanhá-la.
O noivado está consumado. O casamento será celebrado nas convenções ou assim que for definido o nome do candidato a vice. Casamento político, como todos sabem, dura até que o resultado da eleição os separe.