O sistema de transporte coletivo em Manaus vai melhorar com ônibus novos, monitoramento eletrônico dos coletivos, painéis mostrando nas paradas hora, minuto e segundo da passagem de cada carro etc. Sem dúvida. Mas nenhum desses é problema tão grave quanto a falta de politização de motoristas e cobradores.
A família Oliveira, especialmente Josildo, Jaildo e Givanci, convenceram completamente esses trabalhadores de que é no braço que as coisas se resolvem. Esse é o método inclusive para reverter o entendimento dos juízes do Trabalho, que os afastaram da diretoria do Sindicato dos Rodoviários e nomearam uma Junta Governativa para dirigi-lo.
A família conseguiu tornar refém de sua vontade os 20 mil que ficaram sem condução para chegar ao trabalho no dia 04/04, quando paralisaram a Vega Transportes, e os 500 mil que mofaram nas paradas nesta terça-feira (10/04). Fora os proprietários de automóveis particulares, motoristas e usuários dos incontáveis modais de transporte coletivo da cidade que, teoricamente, não tinham nada com isso, mas acabaram ficando engatados nos engarrafamentos provocados pela paralisação.
O direito de greve, duramente conquistado no período da ditadura e consolidado após a redemocratização, tem regras que visam resguardar o interesse público. O trabalhador tem o direito, embora não escrito, de lutar para mudar essas regras quando entender estar sendo prejudicado. Se não fosse assim, os metalúrgicos do ABCD paulista não teriam enfrentado os militares e as poderosas multinacionais montadoras de veículos, nos anos de chumbo, nem um dos seus principais líderes, o torneiro mecânico Luís Inácio Lula da Silva, teria se tornado Presidente da República por dois mandatos.
Ocorre que uma disputa interna de sindicato não pode provocar prejuízo dessa monta à coletividade. Os metalúrgicos lutavam por causas bem mais nobres. E coletivas, uma vez que não havia dissenção da categoria quanto aos objetivos a serem alcançados.
Ou a cidade ficou sem lei, após ficar sem prefeito, viajando, e vice-prefeito, que virou deputado federal, ou então perdeu a capacidade de reação. Se for assim, qualquer jagunço travestido de Lampião reúne um grupo de cangaceiros e assume o comando da cidade. Ou reagimos ou seremos obrigados a pegar nas garruchas e nos unirmos a eles. Em momentos assim, não há meio termo.
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