O senador Eduardo Braga é o fiel da balança da eleição municipal. Dizem que causa uma debandada se confirmar a candidatura a prefeito e deixa o pleito muito perto do zero a zero se ficar de fora.
A decisão de disputar ou não depende da presidente Dilma Rousseff. Braga fica todo este mês de janeiro à espera de um chamado de Dilma para compor o ministério, na reforma em curso. Fontes do blog na capital federal, porém, afirmam que, com o senador amazonense em rota de colisão com o líder de seu partido, Renan Calheiros (AL), e o presidente do Senado, José Sarney (AP), não há qualquer chance de o PMDB aceitá-lo como parte da cota do partido no Governo Federal.
Sem ministério e sem ter obtido no Senado o verniz nacional que esperava, o cenário periga empurrar Braga para um limbo na política estadual que parecia impossível na data de sua saída do Governo do Estado, em março do ano passado, quando parecia solidificado na popularidade do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e no encantamento provocado pela ponte Rio Negro.
Com o cavalo da Prefeitura passando selado, segundo apontam as pesquisas, Braga parece disposto a encarar a disputa. Mas, mesmo aí, precisará de uma conversa muito boa com o governador Omar Aziz. Para começar, terá que oferecer a ele o direito de indicar o candidato a vice-prefeito – situação bem diversa daquela em que disputou o Senado, quando indicou o vice do próprio Omar, José Melo, seus dois suplentes, a esposa, Sandra Braga, e o dono da Videolar, Lírio Parisotto, a hoje senadora Vanessa Grazziotin para disputar a outra vaga e o primeiro suplente dela, Francisco Garcia.
Aí as coisas começam a complicar. Há uma aposta de bastidores afirmando que os três nomes da lista da Omar seriam os da vereadora Glória Carratte e dos deputados estaduais Josué Neto e Marco Antônio Chico Preto. Os dois podem, porém, chegar a um nome de consenso, cenário ideal para ambos.
Braga quer passar como um trator pela eleição municipal. Não pensa sequer nos adversários. Acha que um ano (2013) e três meses, até março de 2014, serão suficientes para fazer (bem) mais que Amazonino na Prefeitura. Não importa sequer que isso signifique apenas um verão para trabalhar, mesmo ele, para quem o inverno amazônico é um poderoso adversário de prefeitos.
E Amazonino? Este, por seu turno, cedeu o próximo movimento a Braga. Uma Ponta Negra reformada aqui, uma Avenida das Torres-Grande Circular acolá, um viaduto ali, um aperto do Manoel Ribeiro de um lado, Walter Cruz apertando de outro, um programa de leite e uma bolsa família ajudando, ele vai mantendo a cabeça de fora.
Se Braga for mesmo candidato, o prefeito de Manaus pode até desistir para valer da reeleição e mergulhar nos grotões do interior, enquanto o adversário se engalfinha no corpo-a-corpo da capital. Depois, revigorado politicamente pela presença física nos locais onde sempre foi forte e pelas agruras do prefeito, quem sabe não se candidata a encerrar a carreira como governador?
Se Braga for candidato a prefeito, como se vê, mexe com muita coisa na política amazonense.
Veja mais notícias em Opinião