04/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amazonas Energia está para a Águas do Amazonas como os raios para a Amazonas Energia

Publicado em 17 de janeiro, 2012

Deu apagão? Problema dos raios. Faltou água? Problema da Amazonas Energia.

Em Parintins, durante muitos anos, dois grupos políticos se revezaram no poder. Um brigava com o outro e o eleitorado se dividia. Virou uma coisa de flamenguistas X vascaínos ou, melhor ainda, Caprichoso X Garantido. Enquanto os “contrários” discutiam em mesa de bar, os “adversários políticos” se revezavam no poder. Doze anos pra um, oito anos pra outro… e a cidade marcando passo.

Parece que Amazonas Energia e Águas do Amazonas descobriram a fórmula. Um culpa o outro. Dirigentes dos dois órgãos chegam a bater boca, em nota oficial e até diretamente, nos meios de comunicação, enquanto a cidade vai sofrendo apagão no verão e apagão no inverno, falta d’água com chuva, desabastecimento com sol.

Desde sexta-feira, moradores de Eliza Miranda, Acácia, Lagoa  Verde, Nova República, parte do Crespo, parte da Betânia, parte do São Lázaro, Bom Jardim, Mauá  I e II,  R1  e  R2, Japiim, Atílio Andreazza e Distrito Industrial estão sem água. Só hoje foram providenciados carros-pipa, coisa de seca nordestina e bem na beira dos rios Amazonas e Negro.

A Agência Reguladora de Serviços Concedidos do Amazonas (Arsam), órgão do Governo do Amazonas, vive essa situação híbrida de “multadora”, enquanto a aplicação da multa e o poder concedente pertencem à Prefeitura de Manaus.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) comporta-se como um órgão do Governo Federal, sob a tutela do presidente do Senado, José Sarney, e dos demais líderes do PMDB, que são donos do Ministério das Minas e Energia. Logo, não vai punir uma galinha dos ovos de ouro de investimentos, como a Amazonas Energia.

Só nos resta apelar para o Ministério Público Estadual, que, numa parceria com o Ministério Público Federal, é a única instância capaz de desvendar o cipoal legal que permite esse abuso diário na cidade-Estado onde se localiza o terceiro maior Polo Industrial do Brasil.

O Acre, diante da perspectiva de construção das usinas de Jirau e Santo Antonio, está recebendo uma verdadeira corrida de empresas querendo se instalar em Rio Branco. Energia é fundamental para a indústria.

As autoridades comprometidas com o Estado e que estão preocupadas com os “inimigos” da Zona Franca, os paulistas, e o fogo amigo do Governo Dilma, precisam ficar de olho. Águas do Amazonas e Amazonas Energia, unidas desse jeito, podem acabar fazendo mais pelo fim do modelo de desenvolvimento da Amazônia Ocidental que qualquer outra coisa.

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