
Conselho aos governantes e aos pré-candidatos ao Governo do Amazonas. David (esquerda), Braga, Arthur, Amazonino, Omar e Rebecca estão no páreo
É verdade que conselho se fosse bom seria vendido e não grátis. Vivo disso, de olhar a cena política, avaliar e indicar caminhos. É hora, porém, de compartilhar com o internauta um pouco do que a próxima eleição nos reserva. O ganho é leitura, clic, compartilhamento, reflexão e cobrança dos candidatos, nesse quadro obscuro que avizinhamos.
A primeira grande incógnita do processo é saber se o governador Amazonino Mendes disputa ou não disputa. Outros fatores também vão influenciar e até mexer na aparente polarização atual, Amazonino x David Almeida-Rebecca.
O quadro parece cada vez mais claro. Toda vez que mergulha no Tarumã, faz uma pescaria ou ganha no dominó Amazonino desiste. Quando fustigado pelos adversários e vê a retaguarda desprotegida se não sair, ele renasce, revigora, é candidato.
A outra vertente diz respeito ao prefeito Arthur Virgílio e o senador Omar Aziz.
Arthur vai fustigar o governador Geraldo Alckmin até a exaustão. Mas acaba de levar pernada dele, Alckmin, presidente nacional da sigla, que reduziu a um os cinco debates pré-prévias. Confronto único é tudo ou nada. Todos conhecem a história do lutador, campeão mundial, nocauteado com um único soco por surfista quase leigo dentro do elevador. O prefeito terá que reduzir a própria densidade cultural e política à linguagem dos debates, os insights fulminantes. É difícil para alguém, como ele, acostumado a segurar plateias por horas.
A presença do prefeito de Manaus na campanha no Amazonas vai depender da candidatura dele à Presidência da República. O caminho mais fácil e seguro é que, se inviabilizada a disputa nacional, concorra novamente ao Senado. A não ser que o cavalo passe selado rumo ao Governo do Estado. E o que seria isso? Amazonino, Omar e até Eduardo Braga, unidos, apoiando Arthur Virgílio para governador.
A candidatura de Omar Aziz ao Governo do Estado é a vertente que esbarra no cavalo selado de Arthur.
Omar convocou os aliados mais próximos. Anunciou a candidatura. Tem uma gama enorme de candidatos a deputado estadual e deputado federal já lançados. Há quem diga que abriu conversação até com David Almeida, que inviabilizou na eleição suplementar. Colocou o bloco na rua, embora tenha pedido reserva e não se pronuncie sobre o tema.
O senador Omar, saindo candidato, mostrará não temer investigações das operações Maus Caminhos, Custo Político e Estado de Emergência. Nem da Lava Jato. Será uma demonstração de coragem e tanto.
O presidente da Assembleia Legislativa, David Almeida, não parou um segundo no recesso. Está percorrendo o interior do Estado. Afinou a conversa com a ex-superintendente da Suframa e ex-deputada federal, Rebecca Garcia. Conseguiu uma inédita divisão meio a meio do parlamento estadual. Isso só ocorreu no referendo da indicação de Amazonino, por Gilberto Mestrinho (1983), para prefeito de Manaus.
David é candidatíssimo. Rebecca Garcia idem. Ele sai do PSD, de Omar Aziz, para o PSB, de Serafim Corrêa, na janela eleitoral de março. Ela tem o PP assegurado. Os dois vão decidir a que concorrem na véspera das convenções.
Amazonino, Arthur, Omar e Eduardo Braga têm muita conversa pela frente. Terão que driblar vaidades e encontrar rumo único. David e Rebecca parecem bem afinados. Mas e o conselho? Qual é o conselho?
Chega de papo. Eleitor não aguenta mais essa história de hoje pode, amanhã não pode mais. Hoje anuncia que será feito e amanhã não faz. Promessa cheira mal. É um instrumento político apodrecido.
O que foi feito no Amazonas, desde que Eduardo Braga construiu a Ponte Phelippe Daou (ex-Ponte Rio Negro) e fez o Prosamim? A Arena da Amazônia? Não é obra estruturante.
Cada dia que a AM-070 (Manaus-Manacapuru) fica parada o amazonense joga caminhões e caminhões de dinheiro no lixo. E ela paralisou desde que Amazonino chegou ao Governo do Estado.
A eleição para o mandato tampão, pós-cassação de Melo, foi uma coisa. A história de “arrumar a casa” funcionou, mesmo com a óbvia função de evitar compromissos mais concretos. Agora é hora de separar o joio do trigo, o papo de Rolando Lero da sinceridade de propósitos.
Obra. Ação. Realização. Estrutura. Melhoria da qualidade de vida no Estado. É isso que se espera do próximo governador do Amazonas.
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