04/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Boicotada pela diretoria e sem ar-condicionado formatura do Lato Sensu ressalta os alunos

Publicado em 15 de dezembro, 2011

Sob calor senegalês, acústica sofrível, boicote da diretoria – que retirou o aval e inibiu os professores de comparecerem – e uma espera de enfurecer o Dalai Lama, os formandos 2011 do Lato Sensu fizeram uma das mais belas festas de formatura dos últimos tempos. Souberam manter o bom humor e a irreverência, deram um show de alegria e não perderam o tom festivo mesmo quando, chegando às 17h, para uma festa que deveria iniciar às 18h, aguardaram o “boa noite” do apresentador até as 20h40.

Homenageada pelos alunos, a professora Marilice Capelossa compôs a mesa, com os lugares vagos pelos demais professores convidados ocupados por pais de alunos, ao lado da professora Lúcia Cláudia Barbosa, abriu oficialmente a cerimônia e ambas desceram para acompanhar a formatura da plateia. No final, chamadas pela comissão de formatura ao palco, elas e o professor de História Charles Negreiros ouviram da aluna representante do grupo, Isabelle Queiroz, um elogio que vale por toda uma vida profissional: “Vocês são o que o Lato Sensu tem de melhor”.

Só pelo fato de terem resistido ao boicote da diretoria, que teria ficado ofendida ao ter a rede interna de computadores invadida e algumas provas copiadas – depois, ficou provado ter sido um erro de sistema, que a própria diretoria se esqueceu de proteger –, inibindo o comparecimento de professores, os três já mereceriam a homenagem.

É claro que alguém de fora, olhando a festa sob a ótica do colégio que ocupa o primeiro lugar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no Amazonas, esperaria algo impecavelmente organizado, didaticamente britânico no horário etc. e tal. Mas, com o injustificável boicote da diretoria, o brilhantismo dos alunos acabou sendo ressaltado e fez toda a diferença.

Os oradores Laila Andrade, representando a turma 321 do Lato Sensu Adrianópolis, Rafael Frank Benzecry (turma 321, Centro), Evelliny Feitosa (322 Adrianópolis), Laiana Roberta (322 Centro) e Lairton Antonaccio (323 Adrianópolis) foram um show à parte. São verdadeiros animadores de auditório. “Cornetaram” colegas e professores, mas, sobretudo, cumpriram aquele pressuposto do discurso que todo político sonha em conseguir, ao manterem a plateia ligada o tempo inteiro.

Alguém resmungava, nas proximidades, toda vez que um novo orador subia ao palco: “Isso não termina mais”. A plateia, suada e sedenta – acabou a água de todos os bares da Uninilton Lins –, aguentou firme. E eu torcia: “Tomara que esse (a) também quebre as regras, seja irreverente e fale umas três horas”. Os discursos foram todos deliciosos. Se algum desses quatro decidir enveredar pelo caminho do jornalismo fará sucesso, no rádio, TV e, pela forma como escreveram, também no jornal.

Terminados os discursos dos alunos, eis que sobe ao palco o professor de História Charles Negreiros, para falar como paraninfo da turma. Soube depois que ele foi professor desses meninos só no 1º e no 2º ano, ou seja, eles tiveram o 3º ano inteiro para esquecê-lo e, mesmo assim, o distinguiram com a escolha. Tranquilo, lúcido, hábil, ele fez um discurso cheio de lições e carinho para com os ex-alunos.

Lembrou Muhammad Ali, o Cassius Clay, antológico lutador de boxe, numa entrevista coletiva, quando lhe perguntaram se não achava que o juiz atrapalhava. “Foi a melhor coisa que já inventaram no boxe porque eu sei que ele está ali para preservar minha integridade física”, foi a resposta. “Torçam para terem um mediador nas vidas de vocês, sempre que alguma coisa os jogar na lona”, disse o professor. Muito bom – e até dei uma coladinha, hoje, na CBN, porque sou fã dessa entrevista.

Sei não, mas se fosse diretor do Lato Sensu aproveitava a última oportunidade de contato oficial com o clima festivo dessa turma do barulho, aparecia hoje na Festa de Formatura, no Diamond, e, humildemente, pedia desculpas pelo fiasco de ontem. Dizia algo assim: “Vocês vão levar a marca do Lato Sensu pelo resto das vidas. Viram o quanto nos esforçamos para lhes dar uma educação de qualidade. Desculpem por ontem e falem bem de nós na vida profissional de vocês, que certamente será coberta de sucesso”.

Ou então, toda a reconhecida qualidade do colégio corre o risco de soar, para essa garotada, como aquela parábola da vaca holandesa, que dá 500 litros de leite e depois mete o pé no balde, derramando tudo.

Parabéns, formandos 2011 do Lato Sensu. Gostei de vocês.

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