
Edilene pode ser porta de entrada para a revelação de segredos escondidos nos porões do Governo do Amazonas
Edilene Gonçalves Gomes de Oliveira, ex-secretária de Eduardo Braga e esposa de José Melo, dois ex-governadores, está presa. Ela é o fio pelo qual a Justiça espera chegar aos recantos mais escondidos do poder no Amazonas. Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) já têm os indícios. O panavueiro pode ser dos maiores. Didi, como é conhecida, tem a fama de pavio curto. Todos aguardam o que sairá da impaciência causada pela cadeia, em tempo nos quais a delação premiada está em moda.
Contra Edilene e Melo há provas suficientes, garante o MPF, no pedido que resultou na prisão do casal. Revelações impressionantes vieram à tona na sentença de prisão preventiva de ambos. Um dos oito – oito!!!??? – construtores da mansão deles afirma que recebeu R$ 500 mil em espécie de Edilene. Carro de seguranças deles, uma S10 com película escura, acompanhou testemunhas às portas da sede do MPF, onde iriam depor. Edilene, em pessoa, teria comandado o arrombamento de cofres da Para Guardar. É incrível.
Edilene Oliveira tem dois cômodos da casa tomados por sapatos. São dois quartos da mansão construída recentemente, avaliada em R$ 7 milhões. Os policiais que tiveram acesso à informação ficaram impressionados. Muita coisa está na caixa, ainda sem uso. Lembra Imelda Remedios Visitación Romualdez, que depois se tornou Imelda Edralín Marcos. Primeira-dama das Filipinas, colecionava mais de 3 mil pares de sapatos e o povo passava fome.
A juíza Jaiza Fraixe conclui que Mouhamad Moustafá era só uma “marionete de luxo” do casal Melo e Edilene. “Ele misturava ficção e realidade… fazendo uso de práticas ilícitas, ora de atos criminosos para satisfazer sua própria cobiça e ganancia e a do casal Melo… ora verbalizando delírios diários de perseguição e luxúria.” Está na sentença de Jaiza que prendeu o casal. Jaiza é a plantonista atual da Justiça Federal.
A polícia e o MPF descobriram que Melo soube, clandestinamente, data, locais e pessoas que seriam ouvidas pelos “órgãos persecutórios”. Foi por isso que o carro usado por seguranças deles estava nas portas da sede do MPF quando construtores foram depor.
Edilene é sócia da Opte Consultoria Econômica Ltda. Na empresa foi encontrada planilha do Grupo Salvare, dirigido por Moustafá, com contratos e valores pagos pelo poder público por cada serviço. Há também um manuscrito, apreendido na casa de Melo, que comprovaria a ligação deles com o Instituto Novos Caminhos (INC).
O senador Eduardo Braga, de quem Edilene foi secretária particular, antes, durante e depois das duas gestões estaduais dele, tem garantias. Circula a suposição de que Edilene estaria disposta a revelar as entranhas das gestões dele. Ocorre que a ex-primeira-dama não fez nada contra o ex-patrão quando este enfrentou o marido, em 2014, disputando o Governo. Nem ao longo do extenso processo em que a coligação de Braga acusou Melo de abuso do poder econômico. O ex-governador foi fustigado pelo senador ao longo dos quase três anos em que permaneceu no governo. Até a cassação, confirmada pelo TSE.
A demora de Edilene deixar o trabalho, no escritório de Eduardo Braga, incomodou os aliados de Melo, na campanha de 2014. E ela saiu deixando uma carta afetuosa, na qual dizia esperar “voltar um dia”.
O ex-governador Omar Aziz é outro que poderia ser delatado por Edilene Oliveira. Melo foi vice dele. Edilene seria uma “ponte” para PF e MPF.
Agora o Amazonas tem um ex-governador, uma ex-primeira-dama e vários ex-secretários estaduais atrás das grades. São dois ex-governadores cassados, uma vez que o vice Henrique Oliveira chegou a assumir o governo. Há outros dois ex-governadores investigados por crimes no cargo, Braga e Omar, acusados na Lava Jato. E o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Abdala Fraxe, está condenado criminalmente pelo TRF1, em fase de recurso.
Todos os ex-governadores do Amazonas vivos são investigados. Noves fora os vices e ocupantes de outros cargos que tenham assumido interinamente. Os únicos sem investigação criminal em curso são David Almeida, o penúltimo, e Amazonino Mendes, o atual.
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