04/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O Pará decidiu se manter unido. E nós, vamos manter Municípios como Envira isolados?

Publicado em 11 de dezembro, 2011

O prefeito de Envira, Rômulo Barbosa Matos, veio a Manaus em novembro para apelar ao Governo do Amazonas que mantivesse na sede municipal pelo menos dois médicos. “Não temos nenhuma linha regular, nem de avião nem de barco, ligando nossa cidade e a capital. Quando alguém adoece gravemente a Prefeitura tem que alugar um avião para trazê-lo”, disse. É um retrato de vários Municípios amazonenses.

O Pará acaba de passar por histórico plebiscito para decidir se dividia ou não o atual território. Com 99,07% das urnas apuradas, por volta das 22h deste domingo, o resultado apontava 66,54% dizendo “não” à criação do Estado de Carajás e 66,3% de “não” à criação do Estado do Tapajós.

O governador Simão Jatene, em entrevista muito lúcida, após o resultado, disse que o recado era bem claro: “Os separatistas querem mais atenção, mas, se dividíssemos o orçamento em três, eles não teriam o que querem porque nosso problema é falta de recursos”.

O Amazonas tem problemas sérios, mas os investimentos na capital são desproporcionais ao interior.

Manaus, segundo o IBGE, concentra 1.802.014 habitantes dos 3.483.985 amazonenses. São cerca de 51% da população estadual. Ok, então vamos dividir meio a meio o bolo do orçamento? Daria para traçar decentemente as ruas dos menores Municípios do interior (com asfalto preparado para décadas) e dotá-los de porto e aeroporto decentes, para começar. E fortalecer os polos municipais, como Eirunepé, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga e Parintins, criando neles instituições hospitalares de referência. É incrível que, num Estado desse tamanho, só haja tomógrafo em Manaus. E qual é o neurologista que opera sem utilizar essa máquina, hoje em dia?

O Pará continuará unido, mas o recado está dado. Menor, mais antigo e menos espalhado que o Amazonas, o Estado vizinho sangra pelo abandono de seus Municípios. Por enquanto, prefeitos venais mantêm seus eleitores no cabresto e viram o jogo do descontentamento oferecendo votos a quem está no poder, quando passa a sacolinha no último momento da eleição. Mas o sentimento de abandono está subjacente e uma hora ainda vai explodir.

O Amazonas não precisa de plebiscito para olhar o próprio umbigo e descobrir como as cidades interioranas estão abandonadas. A Zona Leste precisa de ajuda, mas o João Lúcio fica logo ali na esquina. Envira também precisa e o João Lúcio está a um frete de avião que não cabe no orçamento minguado da cidade.

Está na hora de agir para mudar essas coisas.

 

 

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