O processo eleitoral em curso, que vai eleger o governador tampão do Amazonas, cujo mandato vai de setembro deste ano a 31/12/2018, parece ter os contornos definidos, de acordo com as últimas pesquisas publicadas. Amazonino Mendes escapa da imagem do político aposentado, sem vontade para encarar disputas ou apetite para governar, que chegou a desistir de disputar a própria reeleição na Prefeitura de Manaus devido à baixa popularidade. Ao contrário, o candidato virou o “Negão” jovial, sorridente, brincalhão e cheio de tiradas espertas. Rejuvenesceu. Dizem que até o regime, necessário para combater o diabetes, ele está conseguindo manter em dia. Nada que a perspectiva do poder, apontada pela liderança nas pesquisas, não consiga fazer.
Braga
O principal adversário de Amazonino, o senador Eduardo Braga, esbarra tanto nas acusações da Operação Lava Jato quanto na fama de impaciente e arrogante. Vive aquele momento crucial em que o candidato precisa investir mais, tempo e dinheiro, mas não tem como saber se isso será suficiente para reverter a tendência de queda.
Braga (2)
A alternativa de Eduardo Braga, que começa a martelar a cabeça dele, seria aceitar a derrota agora e mergulhar na campanha de outubro do ano que vem, quando, aí sim!, estarão em disputa quatro anos de mandato, com a perspectiva de reeleição. A dúvida é se Amazonino, eleito, conseguiria êxito para se cacifar a disputar a reeleição, usando a máquina, ou se fracassará, provocando o sentimento de “volta Braga”. A sinuca de bico se completa com a lembrança de que o senador nunca se elegeu para o Executivo sem a máquina estadual. O panavueiro é grande.
Rebecca
A ex-deputada e ex-superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, grudou no calcanhar de Eduardo Braga na capital. Mas precisa melhorar muito no interior para competir pela segunda vaga no 2º Turno da eleição suplementar. O governador David Almeida teria que ter domínio completo da máquina estadual para arrancar os votos necessários, nos exíguos 15 dias de campanha que ainda restam.
Rebecca (2)
Rebecca tem a chance de se posicionar para, mesmo perdendo a corrida pelo 2º Turno, se viabilizar rumo à eleição de 2018.
Amazonino e Braga se debatem entre a certeza de que devem evitá-la no 2º Turno e a profilática política da boa vizinhança, para tentar tê-la ao lado no 27 de agosto.
Abstenção
Tocou o alerta em todos os comitês de campanha. A abstenção e os votos brancos e nulos podem ficar entre os mais votados do 1º Turno. A campanha ainda não conseguiu “esquentar” e tem pouquíssimo tempo para isso.
A máquina
O que é essa tal “máquina estadual”, responsável pela eleição de todos os governadores do Amazonas desde 1986 até aqui? É complexo para explicar. Mas não se resume aos empresários, contratos e pagamentos. Passa também pelos diretores de unidades educacionais e dos hospitais do interior, os repasses para prefeituras e até a legitimidade para criar patrulhas mecânicas e asfaltar ruas, inclusive de Manaus. A Lei de Responsabilidade Fiscal limitou o gasto com pessoal, em Estados e Municípios, a 60% das Despesas Correntes Líquidas (DCL), formadas pela arrecadação tributária, menos os repasses constitucionais. Isso diminuiu o cacife do Executivo junto ao funcionalismo. Mas os cargos comissionados estão aí mesmo para manter a força da máquina, também nesse item.