
O Panavueiro do Trânsito foi resolvido, em grande parte, na cidade de Santander, na Cantábria, Espanha, com um toque chique: pedestres têm escadas e esteiras rolantes nas ruas e elas funcionam, apesar de muita chuva
A Prefeitura de Manaus apertou o cerco contra gargalos no trânsito criados por faixas de pedestres. Condomínios de luxo já foram notificados para erguer passarelas e novos complexos viários estão no radar. A meta é reduzir sinais, dar fluidez ao trânsito e chamar à responsabilidade os empreendimentos privados. O trabalhador no ônibus e o empresário no carro perdem horas do dia tentando escapar dos congestionamentos. Eles são o tormento diário de Manaus e estão cada vez pior.
Condomínios como Reserva Inglesa e Ephigênio Sales já foram comunicados pela Prefeitura: terão de construir passarelas para eliminar faixas de pedestres que travam o fluxo.
O prefeito David Almeida confirmou um complexo viário no cruzamento da Avenida Brasil com Coronel Teixeira, em frente à Igreja da Restauração. O Panavueiro do trânsito no local beira o insuportável. O empréstimo já está na conta. Falta apenas dar a ordem de serviço.
O projeto prevê passarela, passagem de nível, elevatórias e a retirada dos sinais existentes no cruzamento. Há mais condomínios autorizados e em construção na Ponta Negra. Com mais carros, a situação ficará impossível nessa área, que já é a mais lenta da Zona Oeste.
Quando a Avenida das Torres (Governador José Lindoso) chega ao Coroado, todo o esforço dos governos Eduardo Braga e Omar Aziz para construí-la vira uma eterna fila de carros. O prefeito David Almeida fez uma perna da solução e melhorou. Agora falta o restante, prometido na última campanha.
Manaus tem tradição em cobrar obras de mobilidade de empresas privadas. No governo Arthur Virgílio, o Amazonas Shopping só manteve o Alvará de Funcionamento após erguer a passarela da Darcy Vargas.
Os shoppings Manauara e Ponta Negra também tiveram de investir: construíram passarelas com elevadores para atender exigências da Prefeitura. No caso do Manauara foram duas, uma na Mário Ypiranga Monteiro (Recife) e outra na Umberto Calderaro (Paraíba).
Já o supermercado DB da Ponta Negra opera com faixas, semáforos e retornos exclusivos, enquanto concorrentes, como Nova Era e Carrefour, dependem da rotatória da Pedro Teixeira.
A Aleam é outro gargalo: a faixa de pedestre com semáforo na Mário Ypiranga trava os dois sentidos. A solução pedida é uma passarela com elevador, por causa dos idosos. A obra foi prometida mais de uma vez. Está na hora de acontecer. Tem dinheiro, dá pra fazer, como repetia Marcelo Ramos.
Cada faixa de pedestre trava os carros e custa caro em tempo e combustível. O poder público sabe disso, mas enfrenta resistência social e empresarial para remover faixas e priorizar passarelas.
Um gargalo provocado por faixa de pedestre elimina todo o esforço do erário municipal. O exemplo é claro na Darcy Vargas/Ephigênio Sales: mesmo com viadutos, passagens de níveis e passarelas, os engarrafamentos persistem. A passarela do Amazonas Shopping, erguida sob pressão, é solenemente ignorada. A passarela do Tribunal de Contas do Estado (TCE) demorou uma vida para sair do papel, mas perde a função diante de uma faixa a 200 metros. O pedestre deve ser prioridade, isso ninguém discute. Mas as passarelas cumprem essa função com mais segurança e menos prejuízo à mobilidade. Santander, na Espanha, um lugar onde chove tanto ou mais que a capital amazonense, usa esteiras e escadas rolantes para pedestres. Nas ruas. A céu aberto. Manaus precisa mirar em exemplos como esse.
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