
O lado B do Polo Industrial será transformado pelo Prosamim+… em parte, porque outra bronca maior está sendo formado no Coliseu 1, 2 e 3
O Polo Industrial de Manaus (PIM) continua sendo, segundo o Governo do Estado, a locomotiva da economia amazonense. Responde por algo em torno de 70% da atividade econômica no Amazonas. Ocorre que, mesmo no auge, essa usina de bilhões convive com problemas periféricos, causados pelo desleixo da autoridade pública. Antes do alvorecer do atual milênio, por exemplo, surgiram Comunidade da Sharp e Manaus 2000, dois enclaves na porta do que seria, a partir de 2011, uma das principais indústrias do complexo, a Samsung.
O Prosamim+ está, neste momento, iniciando a remoção das 2.380 famílias da “área de intervenção”, ou seja, as palafitas, os alagados, a mais abjeta submoradia. Em resumo, o lado B do Polo Industrial de Manaus que não devia existir.
Já foram retiradas 786 famílias e esse número subirá para 1.080, até o fim deste ano, promete a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb). São aquelas vítimas das alagações calamitosas, ano após ano, que têm prioridade na remoção. O restante sairá à medida que as obras avancem, ao longo dos seis anos previstos para a execução de todo o projeto.
O problema é que, quando Comunidade Sharp e Manaus 2000 estiverem totalmente saneadas, a capital da Zona Franca estará frente a frente com outra zica, igual ou maior, nos bairros Coliseu 1, 2 e 3. Que está ocupando o lugar onde deveriam ser assentadas novas fábricas, no Distrito Industrial 2.
“É o subdesenvolvimento”; “É a crise da habitação”; “É a imigração de venezuelanos”; assim dirão.
O problema é a falta de planejamento. Um dia, e não precisa ser tão distante, Manaus chegará na frente dos problemas e terá um Plano Diretor capaz de indicar os locais de expansão, a criação de vias etc. etc. etc.
A repressão, um instrumento à mão dos governantes, só terá validade se vier acompanhada de alternativa. Surge uma invasão e ela é retirada, de imediato, mas com o cadastro de todos os invasores e a realocação dos realmente necessitados, em locais previamente destinados para isso.
É uma corrida do cachorro para pegar o rabo. Mas precisa ser empreendida. Porque é melhor que o rabo abanando o cachorro, como tem sido até aqui.