
Os 35 anos do Bar do Boi terá todos os itens principais do Caprichoso, como o levantador Patrick Araújo (foto). Foto: Roger Matos
O Bar do Boi, do Movimento Marujada, comemora em grande festa, hoje (27/05), os 35 anos de existência. Trata-se de uma reunião de amigos, saudosos de Parintins, que queriam apenas ouvir toada. Depois chegou a cervejinha, o pacu assado vindo da Ilha, a percussão, o som e o crescimento. Tudo regado pelo papo e o desejo de rever aqueles que, na correria da capital, estudando ou trabalhando, não dava nem para saber que moravam por aqui.
A iniciativa era 100% feita por simpatizantes do Caprichoso. A coisa, no entanto, foi crescendo e mudou de local. Saiu da Ica da Paraíba e foi para o Ministério da Agricultura, entre Recife e Maceió, graças às injunções do saudoso Cacá.
Foi quando, no meio do salão, um grupo de adolescentes, jovens e senhoras começaram a dançar em grupo. Eram todos nascidos e criados na Baixa da Xanda, também conhecida como Baixa do São José, o reduto do Garantido. Havia até parentes de Lindolfo Monteverde. A irreverência logo apelidou a dança de “aeróbica da Baixa”.
O “ataque” se deu também no palco. Logo, Julião, Pampico e outros integrantes do Garantido, se intrometeram na história e exigiram espaço. A democracia prevaleceu e o tempo foi dividido, igualmente, em número de toadas. Claro que todos ultrapassavam o espaço e era preciso um pouco mais de “delicadeza” para tirar o contrário, mas tudo terminava em paz.
Nasceu um objetivo, bem claro, que era equipar de tambores a Marujada de Guerra, o ritmo do Caprichoso. O Garantido campeava absoluto, com os “treme-terra”, enormes, porrudos, que Zezinho, Antônio e Paulinho Faria traziam de Belém e do Rio de Janeiro.
A renda vinha da venda de cerveja e refrigerantes. Várias vezes, no meio da festa, esses produtos acabavam. Mas ninguém ia embora e logo corriam para comprar mais alguns engradados, para completar.
Fernando Marinho, com a cabeça empresarial de sempre, criou outra forma de ganhar dinheiro. O torcedor pagava determinada quantia para levantar a bandeira do seu boi. Rendeu uma graninha.
O problema é que toda a renda era do Caprichoso. O Garantido logo se deu conta de que estava fazendo festa para o contrário. Aí foi que iniciou uma corrida por outro local, para a festa vermelha. Até que, anos depois, o Olímpico Clube vingou.
A essa altura, o Caprichoso havia emplacado o sucesso da TVLândia. A bilheteria e a cerveja garantiram, na década de 1990, o pagamento de 100% do Boi Caprichoso e não apenas a Marujada de Guerra.
Caprichoso, enfim, não vive sem o Garantido. E vice-versa. Tanto que, hoje, no Sambódromo, um fim de semana é do azul e o outro do vermelho.
Hoje (27/05) é dia de saudar os 35 anos do Bar do Boi. O movimento que reuniu empresários, funcionários públicos, profissionais liberais e estudantes, derramando de paixão pelo Festival Folclórico e por Parintins.
Como era nas redações? Uma guerra. Ninguém queria dar o espaço que o Bar do Boi merecia. O crescimento do público, porém, acabou tomando o Amazonas em Tempo, onde Hermengarda Jungueira, sócia-diretora, também se esbaldava na festa.
Jornalistas manauaras – ou que trabalhavam em Manaus – que haviam ido a Parintins foram fundamentais no processo. Mário Adolfo, Ana Célia Ossame, Eduardo Gomes, Mônica Santaella e vários outros (vou levar um monte de puxão de orelha) iam abrindo espaço na mídia.
Peta Cid, iniciando na profissão, no esporte do Em Tempo, onde este jornalista era editor, dedicava um tempão a escrever sobre Bar do Boi.
Havia muita cumplicidade e um desejo enorme de mostrar Parintins. Essa pequena ilha, isolada, no meio do caminho entre Manaus e Belém, as metrópoles da Amazônia, tinha muito a dizer.
O Bar do Boi, como César Augusto, na campanha do Egito, veni, vidi, vici – veio, viu e venceu.
Escrevi, no texto em homenagem a João do Carmo Oliveira de Jesus, eterno marujeiro, um dos fundadores do Bar do Boi, que “Alegria é um sentimento”. O sorriso do Careca, que sempre permanecerá entre nós, há de assegurar muitas outras décadas dessa festa parintinense.
Viva a alegria.