04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Apostas: ou o Brasil regulamenta ou elas acabam com o futebol

Publicado em 15 de maio, 2023

Apostas

Apostas tomam conta do futebol brasileiro e escândalo está à mostra

O sistema de apostas chegou com força ao Brasil. O esquema, que existe em outros países, se esbalda no País do Jogo do Bicho. Vai atuando nos meandros da legislação e conquistando adeptos. Agora pense no rio de dinheiro brasileiro que corre por debaixo do pano. Estão aí os desvios do erário, a corrupção, o crime organizado, o caixa 2 das empresas… A porta do futebol, larga e fácil, abriga facilmente esses esquemas e é por aí que a aposta entra.

Todos lembram do escândalo dos anões do orçamento. Trinta e sete senadores e deputados “lavavam” o dinheiro das propinas, oriundas de “mexidas” no orçamento da União. Onde? Nas casas de apostas oficiais. João Alves (PFL-BA) ganhou 24 mil vezes na Sena, Loto e Loteca.

Era previsível, portanto, num caldeirão como esse, onde o crime é a nota em comum, que as coisas entornassem.

O Ministério Público Estadual de Goiás listou uma série de jogadores envolvidos em falcatruas. São os que receberam dinheiro para favorecer apostadores.

É tudo apoiado na matemática: um cartão amarelo recebido no minuto tal, um vermelho no instante qual, um gol perdido, outro permitido… Tudo é objeto de apostas. Fica difícil saber quando o passe errado foi inabilidade ou feito de propósito.

Os donos das empresas de apostas, todas sediadas em paraísos fiscais, no exterior, se colocam em lado oposto ao dos apostadores. Estariam, segundo consta, ajudando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as autoridades a encontrar fraudes e fraudadores. Sabem que o escândalo atrapalha os planos deles de avançar, cada vez mais, inclusive com lobby junto ao Congresso Nacional, por uma legislação mais favorável.

O futebol brasileiro, apesar de ainda atuar como uma espécie de “divisão de veteranos” da Europa, começa a colher os frutos da organização. O Campeonato Brasileiro, dividido nas séries A, B, C e D, com 20 clubes cada uma, estendeu a disputa para além de Palmeiras e Flamengo, que ocorreu nos últimos quatro anos. Fluminense, Botafogo, Atlético-MG, Atlético-PR e Fortaleza são reais candidatos ao título brasileiro de 2023. O Atlético-MG já furou o roteiro, com o título de 2021.

O País atua como exportador de mão-de-obra. Vinícius Jr. e Rodrigo, do Real Madrid, e Endrick, do Palmeiras, ainda aos 16 anos, já vendido ao mesmo clube, são exemplos claros disso. É também importador de veteranos (Hulk, do Atlético-MG, David Luís, do Flamengo, Marcelo, do Fluminense, Luiz Adriano, do Internacional etc. etc.), que chegam e ainda se destacam no Brasil.

De um lado as apostas, tornando cada movimento dentro de campo suspeito. De outro, os apostadores, ameaçando de morte quem não aceita suborno, e os dirigentes, feito baratas tontas, sem saber o que fazer e correndo atrás dos cifrões de patrocínio das casas de apostas.

Os tentáculos do esquema se estendem por todos os lados. Um caso está sob investigação no Amazonas. É o da derrota do Iranduba, pela 5ª rodada do Campeonato Estadual, para o Amazonas-FC, por 7 a 0.

Cinco jogadores e a diretoria do Iranduba são acusados diretos. O Ministério Público Estadual do Amazonas (MPAM) está investigando. Dizem que os desdobramentos atingem outros Estados e podem determinar prisões, que ocorrerão a qualquer momento.

A Itália, no auge das contratações que tornaram seus clubes seleções multinacionais, como ocorre hoje na Inglaterra, viveu um escândalo com apostas. Ficou de fora das últimas duas Copas do Mundo. Até hoje não se recuperou.

A Seleção Brasileira, enquanto isso, permanece sem treinador. O País do Futebol se tornou a República das Bananas da modalidade, como mero fornecedor de matéria-prima.

Ou o Brasil regulamenta as apostas e esclarece os escândalos, com punição severa, ou as apostas vão matar de vez o futebol brasileiro. Ou, no mínimo, empurrá-lo para um mergulho de sabe lá quanto tempo.

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