10/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Receita Federal pede à PF laudos sobre joias sauditas recebidas por Bolsonaro

Publicado em 23 de julho, 2026

Histórico de saúde de Bolsonaro inclui cirurgias e sucessivas internações desde 2018

Solicitação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. (Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A Receita Federal solicitou à Polícia Federal o compartilhamento de laudos periciais e documentos técnicos relacionados às joias sauditas recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (22).

Segundo o órgão, o acesso aos documentos é necessário para a análise de possíveis infrações à legislação aduaneira e para a condução de um procedimento administrativo fiscal.

“Tal medida é imprescindível para a instrução do procedimento administrativo fiscal, viabilizando a análise de eventuais infrações à legislação aduaneira e assegurando o resguardo do interesse público”, informou a Receita.

A Receita também destacou a proximidade do fim do prazo decadencial para aplicação de eventuais penalidades administrativas. O período, de cinco anos, termina em outubro deste ano.

O órgão afirmou que o compartilhamento dos laudos é necessário para evitar a perda do direito de atuação do Estado e permitir a análise das especificações e valores dos bens.

Caso das joias sauditas

A Polícia Federal indiciou Bolsonaro, em 2024, por suspeitas de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos no caso envolvendo joias dadas pela Arábia Saudita ao governo brasileiro.

De acordo com o relatório da PF, os itens teriam sido levados aos Estados Unidos com a intenção de venda, o que poderia gerar enriquecimento ilícito. O valor estimado das joias é de aproximadamente R$ 6,8 milhões.

Em março deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento da investigação criminal, alegando falta de uma legislação específica para regulamentar o recebimento de presentes por chefes de Estado. O órgão, porém, afirmou que a decisão na esfera penal não impede apurações em outras áreas, como a administrativa e civil.

No mesmo período, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que presentes de caráter pessoal recebidos por presidentes e vice-presidentes não integram necessariamente o patrimônio público e podem permanecer com os ex-chefes do Executivo.

Neste mês, Moraes determinou a transferência da custódia das joias sauditas entregues a Bolsonaro e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A decisão atendeu a um pedido da Receita Federal e a um parecer favorável da PGR, determinando que os itens fossem enviados de uma agência da Caixa Econômica Federal para a Alfândega do Aeroporto de São Paulo.

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