
O 20 de abril coloca o Brasil em alerta. A comissão de Educação do Senado (foto) se debruça nesse debate
Um vídeo, desses que viralizam nas redes sociais, mostra um adolescente puxando a cadeira do professor e o desafiando acintosamente. Os colegas, ao redor, se esbaldam na gargalhada. A cena traz um componente dos dias atuais: pequenos que veem heroísmo onde só há falta de educação. São esses que, como plateia, desavisados, acabam incentivando os extremismos, que chegam à violência dos dias atuais. O 20 de abril (depois de amanhã) tem sido anunciado como o dia em que os projetos de nazistas, sem noção do que isso significa, sairão do armário.
Há toda uma estrutura de segurança montada. O governador Wilson Lima prometeu que, em cinco minutos, a polícia chegará a qualquer escola que acioná-la em Manaus. É natural que hoje não se brinque com o que esses adolescentes infratores pensam se tratar de brincadeira.
A contestação juvenil atravessa os tempos. Estão aí os hippies, que criaram milhares de comunidades ao redor do mundo, e Woodstock, com o lema sexo, drogas e rock’n’roll – oficialmente, “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música”.
O problema é que a memória coletiva guarda apenas fragmentos. Um adolescente, desses que fazem apologia da violência, ainda não chegou na parte da história que conta os detalhes.
O festival, por exemplo, realizado numa fazenda, a uma hora da cidade de Woodstock, no Estado de Nova Iorque (EUA), previa 200 mil pessoas e recebeu 500 mil. Não havia estrutura sanitária ou para alimentação. Foram três dias de muito rock e mais a segunda-feira, com o principal astro do evento, Jimmy Hendrix, tocando por duas horas, às 8h. Em meio ao caos, uma das marcas do show, que entrou para a história, foi justamente o caráter pacífico, não violento.
Adolescentes e jovens sabem conter a irreverência. Quando estão com os pais na imigração, durante a checagem de passaporte, por exemplo, eles sabem estar sob o poder discricionário do agente. Entendem que basta o sujeito “se invocar” com um deles e as ansiadas férias ficarão reduzidas às ida e volta de avião. Ou mesmo a uma prisão. Ninguém vê contestações, num momento assim.
Pais e responsáveis por crianças, jovens e adolescentes em idade escolar têm a responsabilidade de deixar uma mensagem marcada em suas mentes: não é brincadeira; o coleguinha faz graça com o professor para aparecer e viverá as consequências.
O adolescente, apologista do nazismo, que teve surto em escola da Cachoeirinha e depois disse não se ter arrependido, está até hoje afastado do convívio dos pais.
O dia 20 de abril, do qual todos falam, alguns incautos incentivando expectativas que podem se transformar em tragédia, é um marco sobre como será o enfrentamento da violência nas escolas, daqui para a frente. Os EUA vivem às voltas com o problema. O presidente Lula disse aos governadores que não quer “transformar escolas em presídios”.
O dia é didático. Parece que quem não fez a tarefa de casa terá que aprendê-la na escola. A bronca bateu à porta. Temos que encontrar um jeito de impedi-la de entrar.