
A inundação de santinhos marca o início da campanha, mas o eleitor deve olhar possibilidades de crescimento para o Amazonas, como a criação de cidades-modelos. Na foto, Bonito (MS), um exemplo de natureza bem aproveitada, que poderia ser refletido em Figueiredo
O calendário eleitoral libera os candidatos, a partir deste 16/08, para pedir voto. A hipocrisia da legislação permitiu que “pré-candidatos” fizessem campanha, até então, mas sem pedir “voto explícito”. Aberta a porteira da campanha, candidatos inundaram celulares de santinhos eletrônicos. A Filosofia, ciência tão importante quanto esquecida, nos ensina a buscar os fundamentos, em momentos assim. O que esperar de uma campanha política no Brasil?
É preciso lembrar que o sujeito é candidato a se tornar funcionário público. O político ganha o direito de representar o grupo que o elege. Há uma distinção, em se tratando de Congresso Nacional, que se torna cada vez mais furtiva, entre deputado federal e senador: o deputado representa o Estado e o senador a Nação – na teoria, um se debruçaria mais sobre assuntos “paroquianos” e o outro sobre os interesses nacionais, mais amplos.
O eleitor deve, de posse dos quatro últimos anos de mandatos exercidos, analisar com lupa o que cada um desses funcionários fez. Há exemplos, na bancada federal, da mais absoluta nulidade. Isso e mais o nepotismo cínico, com firmas familiares auferindo recursos que deveriam ser usados em assessoria qualificada. Existe exceção, mas é preciso olhar com muito jeito para distingui-la.
Governador ganha o poder de administrar, empossado no cargo, um patrimônio que representa, no orçamento 2022, em torno de R$ 28 bilhões/ ano. O prefeito David Almeida, com projeções feitas por especialistas, afirma que o eleito em outubro administrará R$ 120 bilhões, nos próximos quatro anos.
Não é tudo isso. O Amazonas gasta em torno de 50% do que arrecada com a folha de pessoal. Daí que os R$ 120 bi, teoricamente disponíveis, caem para R$ 60 bi, ou seja, R$ 15 bi/ ano. Mais os percentuais obrigatórios para Saúde e Educação, o pagamento de contratos etc… E o líquido, à disposição do governador, não passa dos R$ 5 bilhões/ano.
Ainda assim é muito dinheiro.
A escandalosa Ponte Jornalista Phelippe Daou custou R$ 1,1 bilhão. Daria para transformar Manaus numa Cidade do Porto, de Portugal, com suas famosas 11 pontes.
O Amazonas precisa de uma “cidade modelo”. Um lugar pequeno, como ainda temos, que permita beber água da torneira e não derrame uma gota sem tratamento de esgoto. Ruas largas, com asfalto que não acabe, arborizadas com espécimes nativas da região, ciclovias e passeios, prédios com afastamento mínimo e Plano Diretor com ordenamento para 20, 30 anos.
Presidente Figueiredo, por exemplo, tem a maior renda per capita do Amazonas e isso nada representa, em termos de progresso. É mais linda, em termos de natureza, que a incensada Bonito (MS). Arrumada, transformada, embelezada, se tornaria uma meca do turismo regional. Faturaria o suficiente para criar um ciclo virtuoso. Deixaria claro, para os demais Municípios, que é possível fazer algo que preste, em termos de urbanismo.
(Já leu isso em outros editoriais deste portal? Verdade. Mas água mole em pedra dura…)
É tanto dinheiro, que dá para pensar em duas cidades. Por que não Novo Airão? E depois, na sequência, Rio Preto da Eva e Iranduba, lugares onde a natureza é igualmente pródiga.
Como dizia o slogan de Marcelo Ramos, na eleição para prefeito, “tem dinheiro, dá pra fazer”.
Eleição é o momento em que o voto é seu, mas a responsabilidade é coletiva. Na hora de votar, pense em quem pode construir o melhor futuro. Afaste as nulidades. E boa sorte.