08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Bolsonaro, Wilson e David, unidos pelas máquinas, e o fato consumado na política

Publicado em 27 de outubro, 2021

Bolsonaro, Wilson e David

Bolsonaro, Wilson e David fecham parceria e a fatura de 2022 parece fechada, mas é preciso olhar as nuances. Na foto, Bolsonaro discursa, com Wilson e David na primeira fila

O Amazonas assiste às evidências de que o presidente Jair Bolsonaro, o governador Wilson Lima e o prefeito de Manaus, David Almeida, marcharão juntos na eleição do ano que vem. As três máquinas, unidas, podem fazer muito para conquistar o eleitor. Significam vitória, sob o ponto de vista do panorama histórico da política no Amazonas. O que pode dar errado?

Em política não há fato consumado, antes que o fato se consuma. Traduzindo: os cenários mais positivos podem não levar à vitória, que só existe na hora que os vencedores são empossados.

Wilson anunciou R$ 580 milhões para a Prefeitura de Manaus, o que fortalece o prefeito e cria vínculos eleitorais na reeleição do governador. Bolsonaro acena com verbas para o prefeito, musculatura renovada para David e aumento da importância do apoio ao governador.

A trinca, unida, enfrentará Lula, Eduardo Braga, candidato ao Governo do Estado, e Omar Aziz, que disputará a reeleição como senador.

 

O que pode dar errado?

Promessas não enchem barriga. Governador e presidente precisarão agir como dois relógios suíços na ajuda prometida à Prefeitura de Manaus. Isso significa o cumprimento religioso do cronograma de liberação. O eleitor precisará ver de perto a capital toda asfaltada, a Ponta Branca e o Mirante Encontro das Águas prontos, o estudante sem pagar passagem em ônibus em 2022 etc. Fora o que ainda não foi anunciado, do “pacote” de Bolsonaro.

 

A força do PT

O presidente enfrentará, no Amazonas, um adversário poderoso. Lula, entre os candidatos à Presidência, teve a segunda melhor votação do Amazonas. Só foi superado por Dilma, que enfrentou um Alckmin enfraquecido pela questão São Paulo X Zona Franca. E a votação dela refletiu o apoio dele.

As razões para que o PT seja tão forte no Amazonas são várias. Lula atravessou os governos Braga e Omar sendo elogiado por ambos. Só tinha, como oposição estadual, a voz solitária do ex-senador Arthur Virgílio, que repercutia mais no Jornal Nacional que no meio da população amazonense.

O prestígio do ex-presidente crescia, enquanto isso, pelas matas e florestas amazonenses, com o Luz para Todos. Dirão os mais céticos que os caboclos implantaram os postes, fazendo o trabalho braçal, enquanto uma empresa ligada aos políticos emitia a fatura. Eles, caboclos, nem imaginam o quanto esses inescrupulosos faturaram com o suor deles.

O morador das cidades também não faz ideia do que representa para o ribeirinho, isolado, poder usar luz elétrica, geladeira e ar-condicionado. Agora eles conseguem armazenar comida. Mudou a qualidade de vida. Isso está arraigado nos corações dessa gente e nem o auxílio emergencial da pandemia oferecido por Bolsonaro – que tirou muitos votos para ele do meio do Bolsa Família de Lula – consegue mexer nisso.

Bolsonaro, portanto, precisa mesmo de uma ação que envolva Wilson e David. Já percebeu que os apoiadores locais, mesmo os mais próximos, têm eleitorado pífio, insuficiente para fazer frente ao patrimônio de Lula, Braga e Omar.

Teremos, assim, a máquina de Bolsonaro, Wilson e David enfrentando a máquina do PT. OP trio oficial confrontará a plantação feita na eleição para prefeito, em 2020, quando Braga e Omar juntaram número expressivo de eleitos, no interior amazonense. Muitos mudarão de lado, facilmente, conforme reza a história. Mas isso se a máquina atuar azeitada.

Wilson, enquanto isso, acabou com as dúvidas sobre se disputaria ou não. Disparou, nos últimos dias, um pacotão de bondades. Tem promoções, reajustes salariais e concursos. Haja apetite.

Braga e Omar esperavam eliminar o governador com a CPI da Pandemia. Tinham, nela, a bala de prata perfeita. Conseguiram indiciá-lo. Estão longe, entretanto, do disparo perfeito.

Resta a Bolsonaro, Wilson e David, antes de correr para o abraço, lembrarem o tópico frasal: em política não há fato consumado. Até que o fato se consuma. Não há vitória antecipada. Até o dia da posse.

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