02/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Novo X velho pela Prefeitura de Manaus e Wilson Lima e Arthur Virgílio no processo

Publicado em 16 de setembro, 2020

Novo X velho

Novo X velho será menos importante na sucessão de Manaus, mas Arthur Virgílio (com Orlando Holanda, à esquerda) e Wilson Lima (com o titular da Seinfra Carlos Henrique) sabem que influência no pleito dependerá das obras que realizarem

A política é dinâmica. Sofre mudanças como as nuvens no céu. Mas tem cânones, cláusulas pétreas, leis imutáveis. É o caso do “preditor de votos”, sobre o qual este portal tem falado com abundância, pleito após pleito. Em 2017, na eleição transitória, e em 2018, no embate que levou aos mandatos atuais, o preditor foi “o novo”. E hoje? O que espera o eleitor? O “competente”, não importa se novo ou velho, parece, diante dos fatos, o melhor palpite.

Novo em 2017? E como Amazonino, o mais velho da política amazonense, em todos os sentidos, ganhou a eleição? Assim como o lobo travestiu-se de Vovozinha, enganando Chapeuzinho Vermelho, o Negão se maquiou de “novo”. A massa eleitoral, naquela ocasião, acreditou na fábula.

Em 2018, a vitória de Wilson Lima torna o debate dispensável. Aí, porém, vem o fio da meada para entender 2020: o novo estava tão forte, que a experiência administrativa não entrou na jogada. Acrescente-se a vitória de Bolsonaro e a discussão fica ainda mais inócua.

 

Mandato

Wilson, hoje, não é mais a incógnita que foi em 2018. Mesmo sem lançar candidato a prefeito de Manaus e procurando se manter distante da disputa, porém, o mandato dele é o centro da polêmica.

O governador atual, novato, escapou de um impeachment tido como “favas contadas”, na Assembleia Legislativa. Pesa sobre ele, ainda, a ameaça de prisão, como um dos governadores investigados pelas compras na pandemia. Witzel (RJ), bem mais poderoso, ex-juiz federal e tal, acabou na cadeia. Wilson segue governando.

Um dos fatores da falta de experiência administrativa é a imobilidade da máquina. Wilson passou 2019 distante. Em 2020, no entanto, afastou o vice-governador Carlos Almeida, que vinha governando, e assumiu o comando.

Contra os mandamentos da política, no afastamento do vice, que atuava como governador, mandou para a rua todos os assessores nomeados por ele. Inclusive na Susam. Colheu a tempestade, claro, após semear esse vento, com as delações desses mesmos funcionários, inclusive o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e, principalmente, a ex-chefe das compras Dayana Mejia de Souza. Sem Dayana, aliás, a CPI da Saúde teria muito pouco para trabalhar.

 

Arthur e as obras

O “velho”, é bom destacar, sofre tanto quanto o “novo”, quando encara uma máquina administrativa azeitada pelo antecessor. Arthur Virgílio, sucessor de Amazonino na Prefeitura, transformou Manaus, nos últimos dois anos, num canteiro de obras. Deixou pouquíssimas ruas sem asfaltar. Fez os viadutos. Mas levou seis anos para atingir esse nível de domínio administrativo. Se Manaus tivesse mais quatro anos de obras, no ritmo atual, ficaria um brinco.

Veja: Arthur levou seis anos para dominar a máquina. Nem na reeleição, em 2016, lançou tantas frentes e concluiu tantas obras como agora. De Wilson, recém-chegado ao governo, também sucessor de Amazonino, cobra-se que realize de imediato. Note-se que o governador não teve trégua da máquina montada pelo matreiro antecessor para pressioná-lo.

Wilson, ainda assim, está avançando expressivamente na duplicação da AM-070 (Manaus-Manacapuru). Faça as contas: Eduardo Braga (que concebeu a obra), Omar Aziz, José Melo, David Almeida e Amazonino Mendes fizeram menos que o governador atual promete fazer na rodovia. Se conseguir inaugurá-la, até dezembro, terá marcado um golaço, na comparação com os antecessores.

O Programa Social eAmbiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), que andou a passos de tartaruga, após Braga, está avançando. A região do Bariri, por trás da Matinha e na margem oposta ao bairro da Glória, está concluída. Os moradores de toda a Zona Oeste têm uma nova e segura opção para chegar ao Centro. Os traficantes encastelados naquela área viram-se, de repente, com uma avenida pela frente, aberta à entrada das viaturas policiais.

O novato, portanto, começou a trabalhar, apesar de ainda às voltas com denúncias sérias.

Compare-se o mandato de Wilson, em um ano e nove meses, com o ano e três meses de Amazonino, no mandato-tampão. O “velho” trabalhou bem menos que o “novo”, com o agravante do eterno dominó no Tarumã, deixando para os assessores o “entediante” trabalho de governar.

Arthur Virgílio e Wilson Lima serão importantes na eleição para a Prefeitura. Quem duvidar disso, não pode discutir política.

 

Administrador competente

Exige-se agora, na Manaus 2021, o mesmo ritmo de trabalho de Arthur Virgílio 2019-2020. No mínimo. Quem é, entre os candidatos, que tem currículo para ser esse tocador de obras?

Haverá lobo se vestindo de vovozinha, outra vez, mas o povão parece vacinado contra esse tipo de vírus. A chance é para quem andar pelas ruas da cidade e mostrar obras, fontes de recursos e projetos palpáveis. As rede sociais estão aí para isso mesmo.

Que ganhe o competente. E que não seja no marketing da desfaçatez. Manaus espera o melhor.

 

Eleição pode estar para O Novo como meia-noite para Cinderela. O pós-pleito divide fábula de realidade

O instrumento que o eleitor não usa para se defender de pesquisas eleitorais e o principal preditor (indutor do voto) desta eleição

Veja mais notícias em Opinião

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.