27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ataques a médicos e jornalistas ou a linha de frente nos tempos da pandemia

Publicado em 06 de maio, 2020

Ataques a médicos e jornalistas

Ataques a médicos e jornalistas são expressão da covardia e ignorância quanto ao papel de cada um

O sujeito ao lado fala, duramente, criticando a autoridade. O assessor chega e ataca, com palavras ainda mais duras, o outro jornalista, que ainda nem tinha falado. Por quê? O verdadeiro crítico era o dono e o outro funcionário da casa. É esse tipo de covardia que norteia os ataques a jornalistas, médicos e profissionais de saúde em geral.

Pode até ter uma outra provocação, mas o cerne é esse: pura covardia.

Há pouco tempo, um radialista foi execrado pela sociedade amazonense por receber salário de emissora estatal. O salário era algo em torno de R$ 4 mil. Ninguém criticou a emissora em que ele trabalha, dona de contrato de mais de R$ 100 mil com o mesmo governo.

É semelhante ao que acontece na agressão física a profissionais de saúde, nesta pandemia de Covid-19.

O problema no atendimento médico, no caso da pandemia do novo coronavírus, começa na Organização Mundial de Saúde (OMS), passa pelo Ministério da Saúde (OMS) e chega nas secretarias municipais e estaduais. Contam os governos federal, estaduais e municipais.

A engrenagem emperrou no começo, quando a OMS custou a reconhecer a pandemia, coonestando a sonegação de dados da China. Depois, a absoluta surpresa do mundo diante da virulência e letalidade da Covid-19. O isolamento social não é cumprido e o profissional é culpado pelos hospitais lotados? Ou pelo aumento do número de infectados?

Tudo isso foi desaguar na ponta, no profissional de saúde, no médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e demais técnicos.

 

Meninos covardes

É justo agir como o garoto de rua, tentando ser esperto, que lambe as botas dos contemporâneos mais fortes e quebra a cara dos mais franzinos? É justo bater em quem tem menos força, na cadeia citada acima, num gesto de ignorância quanto à incompetência dos poderosos?

Repórteres de rua, cinegrafistas, fotógrafos são a linha de frente da indústria da notícia. Mas a decisão sobre o material coletado – edição, cortes, enfoque e publicação – é da retaguarda. Quem decide, em última instância, é o dono.

O repórter-fotográfico, nome pelo qual atende também o cinegrafista, e o repórter de texto, imagem ou voz, se arriscam para coletar informações na pandemia. Estão sujeitos à contaminação, em nível muito próximo até dos profissionais de saúde.

Cuide deles. São heróis. Não entre na onda dos covardes e ignorantes da ocasião, esses do papel ridículo de agredi-los. Veículo é veículo. Jornalista é jornalista. Sistema de saúde é política, administração, gestão. Atendimento é coração, alma, doação, sacrifício.

Esses profissionais catam coronavírus no ambiente de trabalho. Depois voltam para os braços da família, levando o risco de contaminação. Só isso já seria motivo para cuidar deles com desvelo e carinho. Há os que ou fazem isso ou passarão fome. Como também os que, não precisando mais, insistem em cuidar do próximo, arriscando a própria vida e a segurança familiar.

Pense. Você é indivíduo. Não gado.

Veja mais notícias em Opinião

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.