
Ataques a médicos e jornalistas são expressão da covardia e ignorância quanto ao papel de cada um
O sujeito ao lado fala, duramente, criticando a autoridade. O assessor chega e ataca, com palavras ainda mais duras, o outro jornalista, que ainda nem tinha falado. Por quê? O verdadeiro crítico era o dono e o outro funcionário da casa. É esse tipo de covardia que norteia os ataques a jornalistas, médicos e profissionais de saúde em geral.
Pode até ter uma outra provocação, mas o cerne é esse: pura covardia.
Há pouco tempo, um radialista foi execrado pela sociedade amazonense por receber salário de emissora estatal. O salário era algo em torno de R$ 4 mil. Ninguém criticou a emissora em que ele trabalha, dona de contrato de mais de R$ 100 mil com o mesmo governo.
É semelhante ao que acontece na agressão física a profissionais de saúde, nesta pandemia de Covid-19.
O problema no atendimento médico, no caso da pandemia do novo coronavírus, começa na Organização Mundial de Saúde (OMS), passa pelo Ministério da Saúde (OMS) e chega nas secretarias municipais e estaduais. Contam os governos federal, estaduais e municipais.
A engrenagem emperrou no começo, quando a OMS custou a reconhecer a pandemia, coonestando a sonegação de dados da China. Depois, a absoluta surpresa do mundo diante da virulência e letalidade da Covid-19. O isolamento social não é cumprido e o profissional é culpado pelos hospitais lotados? Ou pelo aumento do número de infectados?
Tudo isso foi desaguar na ponta, no profissional de saúde, no médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e demais técnicos.
É justo agir como o garoto de rua, tentando ser esperto, que lambe as botas dos contemporâneos mais fortes e quebra a cara dos mais franzinos? É justo bater em quem tem menos força, na cadeia citada acima, num gesto de ignorância quanto à incompetência dos poderosos?
Repórteres de rua, cinegrafistas, fotógrafos são a linha de frente da indústria da notícia. Mas a decisão sobre o material coletado – edição, cortes, enfoque e publicação – é da retaguarda. Quem decide, em última instância, é o dono.
O repórter-fotográfico, nome pelo qual atende também o cinegrafista, e o repórter de texto, imagem ou voz, se arriscam para coletar informações na pandemia. Estão sujeitos à contaminação, em nível muito próximo até dos profissionais de saúde.
Cuide deles. São heróis. Não entre na onda dos covardes e ignorantes da ocasião, esses do papel ridículo de agredi-los. Veículo é veículo. Jornalista é jornalista. Sistema de saúde é política, administração, gestão. Atendimento é coração, alma, doação, sacrifício.
Esses profissionais catam coronavírus no ambiente de trabalho. Depois voltam para os braços da família, levando o risco de contaminação. Só isso já seria motivo para cuidar deles com desvelo e carinho. Há os que ou fazem isso ou passarão fome. Como também os que, não precisando mais, insistem em cuidar do próximo, arriscando a própria vida e a segurança familiar.
Pense. Você é indivíduo. Não gado.
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